O Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC), após o recebimento de denúncia, solicitou nesta sexta-feira (23) ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) que investigue possíveis irregularidades envolvendo prefeituras do Estado e empresários que foram flagrados com R$ 1,2 milhão, em espécie, no último dia 20/05, pela Polícia Federal no aeroporto de Brasília.
Na representação, o Comitê destaca que foi amplamente noticiado pela imprensa brasileira, na última terça-feira (20/5), e cita o portal Metrópolis para informar que “três empresários amazonenses flagrados com R$1,2 milhão, em espécie, escondidos nas malas. Foram detidos César de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho, todos oriundos de Manaus (AM)“.
Segundo o portal de notícias UOL do grupo folha de São Paulo, “o empresário Cesar de Jesus afirmou à Polícia Federal que é empresário e tem um contrato de R$ 22 milhões com a Prefeitura de Manaus, de onde viria parte desse montante que carregava”.
O portal de notícias também destacou que “a PF interrogou o suspeito após ele ser flagrado com o dinheiro. Em seu depoimento, ele afirmou ser dono da empresa Comercial CJ, que, segundo ele, teria faturamento mensal de R$ 2 milhões. Ele se disse do ramo de comércio de alimentos e prestação de serviços. Segundo ele, a empresa possui dez empregados e cinco micro-ônibus”.
E que “sua firma presta serviço para a Prefeitura de Manaus (…) Ele contou que o maior contrato seria para fornecimento de alimentos à Prefeitura de Manaus, no valor total de R$ 22 milhões, a ser pago em 12 meses —parte do dinheiro com ele viria desse serviço. Documentos obtidos pelo UOL apontam contratos de cerca de R$ 4,7 milhões”.
Em outro trecho também pontua que “as empresas de Jesus e outros dois presos não possuem funcionários, segundo a Polícia Federal. Imagens do Google datadas de agosto de 2024 e consultadas pela PF não exibem a existência da Comercial CJ no endereço indicado. O mesmo acontece com empresas dos outros dois detidos, os empresários Erick Pinto Saraiva, 29, e Vagner Santos Moitinho 46”, segundo o portal de notícias UOL.
A prioridade, para o Comitê, é esclarecer em quais municípios os empresários e suas empresas mantêm contratos, os valores envolvidos, os objetos desses acordos e possíveis indícios de fornecimentos ou pagamentos fictícios. A preocupação se acentua diante da avaliação da Polícia Federal, que aponta falta de capacidade financeira dessas empresas para assumir contratos de grande porte.
No final do documento, o Comitê solicita:
a) A instauração de procedimento investigatório para apurar de forma minuciosa e detalhada os fatos apresentados, especialmente no que tange o envolvimento dos empresários César de Jesus Glória Albuquerque, Erick Pinto Saraiva e Vagner Santos Moitinho com as prefeituras do Amazonas e as pessoas jurídicas das quais sejam sócios;
b) Que, constatada qualquer irregularidade ou eventual violação dos preceitos legais e constitucionais, sejam promovidas as medidas judiciais e administrativas cabíveis para a responsabilização dos envolvidos, assegurando-se a punição dos agentes responsáveis por eventuais ilegalidades e a devida recomposição do erário;
c) A adoção de providências que, no âmbito deste Ministério Público, resguardem a integridade do patrimônio público e assegurem o cumprimento dos princípios da legalidade, moralidade e eficiência na Administração Pública, de modo a evitar futuras infrações e a garantir a correta aplicação dos recursos públicos estaduais, no âmbito das contratações entabuladas com o Município de Manaus, bem como com os demais entes que tenham contratado.
Confira aqui o documento na íntegra.
