Política

50 faltas e R$ 130 mil: caso Bual coloca blindagem na CMM e gestão David Reis sob pressão

Comitê anticorrupção pede apuração dos pagamentos ao vereador aliado do grupo político do ex-prefeito David Almeida; questionamentos alcançam condução da Câmara

Escrito por Rosianne Couto
15 de setembro de 2026
Pagamentos a Rosinaldo Bual mesmo com 50 faltas colocam atuação da gestão David Reis no centro dos questionamentos - Foto (IA): Diário da Capital

A situação do vereador Rosinaldo Bual (Agir) ganhou um novo capítulo e amplia os questionamentos sobre a condução da Câmara Municipal de Manaus (CMM), presidida por David Reis. Entre março e julho de 2026, o parlamentar recebeu cerca de R$ 130 mil em subsídios, apesar de acumular 50 ausências não justificadas em sessões ordinárias, conforme registros do Portal da Transparência citados em manifestação encaminhada ao Ministério Público pelo Comitê Amazonas de Combate à Corrupção (CACC).

Os números chamam atenção: com salário bruto mensal de R$ 26.080,98, Bual não teve presença registrada nas sessões de abril, maio e julho. Segundo o CACC, as faltas ocorreram antes da decisão judicial que teria autorizado o exercício remoto do mandato, comunicada oficialmente à Câmara somente em 11 de agosto. Diante disso, o grupo pede que os pagamentos sejam investigados e que o caso seja encaminhado ao Tribunal de Contas do Amazonas (TCE-AM), inclusive para avaliar a abertura de Tomada de Contas Especial.

O episódio também joga luz sobre a atuação da direção da CMM diante de um parlamentar politicamente ligado ao grupo do ex-prefeito David Almeida. A manutenção dos pagamentos, apesar das ausências registradas, alimenta questionamentos sobre uma possível blindagem política, sobretudo porque cabe à própria Câmara administrar sua folha e aplicar as regras internas. Até o momento, porém, os elementos apresentados não comprovam que David Reis tenha determinado pagamentos irregulares ou atuado pessoalmente para proteger Bual, ponto que dependeria de investigação e documentação específica.

O CACC quer justamente que os órgãos de controle esclareçam se os aproximadamente R$ 130 mil foram pagos regularmente e identifiquem eventuais responsáveis caso seja constatada alguma irregularidade. Bual está impedido judicialmente de frequentar presencialmente a Câmara em razão de medidas cautelares impostas no processo que o investiga. Em julho, o Superior Tribunal de Justiça manteve a restrição de acesso à CMM e o uso de tornozeleira eletrônica.

Assim, a controvérsia deixa de envolver apenas as faltas de Bual e alcança a própria administração do Legislativo municipal. As 50 ausências foram classificadas oficialmente como não justificadas, enquanto os subsídios foram mantidos integralmente no período. A manutenção dos pagamentos e as eventuais providências adotadas pela gestão de David Reis deverão ser esclarecidas pelos órgãos de controle, responsáveis por apurar se houve favorecimento ou irregularidade no caso.

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