Existe uma forma de prostituição que não acontece nas esquinas: acontece nos corredores do poder. É a prostituição política aquela em que princípios têm preço, lealdades têm prazo de validade e convicções desaparecem assim que surge uma proposta mais vantajosa.
Há quem tenha feito da própria trajetória uma espécie de balcão de negócios hoje beija a mão de um grupo, amanhã apunhala quem lhe abriu a porta e, depois, reaparece ao lado do novo poderoso como se a história tivesse sido apagada.
Não é ideologia. É conveniência.
Não é lealdade. É investimento.
Não é coragem para disputar o poder. É habilidade para sobreviver à sombra de quem o possui.
O problema é que a política pode até tolerar oportunistas por algum tempo. O eleitor, entretanto, costuma cobrar a conta.
Porque quem vende a própria palavra para permanecer perto do poder pode até ganhar cargos, espaços e influência. Mas existe uma moeda que não se compra credibilidade.
E quando a última porta se fecha, quem passou a vida negociando lealdades descobre que ficou sem aliados — apenas com antigos cúmplices e uma longa lista de traições na memória dos outros.
Na política, pode-se mudar de partido, de grupo e até de discurso. O que não se muda tão facilmente é a reputação.
Colunista
Lissandro Breval
CEO do Diário da Capital
