Justiça

TJAM vai julgar ação sobre preços abusivos da gasolina em Manaus

Recurso da Defensoria Pública busca responsabilizar postos por não repasse de redução nas refinarias

Escrito por Redação
23 de março de 2026
Foto: Reprodução

O Tribunal de Justiça do Amazonas (TJAM) pautou para o dia 13 de abril o julgamento de um recurso da Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) que pede a responsabilização de postos de combustíveis de Manaus por supostas práticas abusivas na formação dos preços da gasolina.

A apelação será analisada pela 2ª Câmara Cível e tenta reverter a decisão de primeira instância que extinguiu, em março de 2023, sem resolução do mérito, a Ação Civil Pública (ACP) nº 0634947-79.2019.8.04.0001. A ação foi proposta em 2019 pela chamada “Força Tarefa do Consumidor”, formada pela Defensoria Pública, Ministério Público do Amazonas, Procon-AM e Procon Manaus.

Na época, os órgãos solicitaram liminar para reduzir em 14,5% o preço da gasolina em Manaus, percentual correspondente à redução anunciada pela Petrobras nas refinarias no mês anterior. Segundo os autores da ação, o desconto não teria sido integralmente repassado ao consumidor final. O pedido foi negado, e o processo acabou sendo posteriormente extinto.

No recurso apresentado ao TJAM, a Defensoria Pública sustenta que o interesse processual permanece, uma vez que o problema apontado não se limita ao episódio de 2019, mas indicaria prática reiterada de mercado, com impactos contínuos aos consumidores e possível alinhamento de preços.

O defensor público Carlos Almeida Filho, titular da Defensoria Pública Especializada em Interesses Coletivos (DPEIC), afirma na apelação que a ACP “apesar de fundamentada em um evento específico, possui uma finalidade mais ampla, que não se restringe nem se perde pelo decurso do tempo: o restabelecimento do equilíbrio e transparência na relação de consumo, e a reparação de danos já concretizados contra os consumidores”.

Ele também aponta que fiscalizações realizadas por órgãos de defesa do consumidor indicam tentativas anteriores de solução extrajudicial. Segundo o defensor, as ações “demonstra as reiteradas tentativas – infrutíferas – de solução extrajudicial de um conflito que há anos afeta a população amazonense”.

O julgamento ocorre em meio a novos aumentos nos preços dos combustíveis na capital. Apenas em março, o litro da gasolina acumulou alta de R$ 0,60. O reajuste mais recente foi registrado no último sábado (21), quando o valor passou de R$ 7,29 para R$ 7,59 em diversos postos.

Durante a sessão, a Defensoria Pública deverá realizar sustentação oral pedindo que a Corte analise o mérito da ação e avalie eventual responsabilização dos estabelecimentos.

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