A precariedade das condições de trabalho enfrentadas por catadores de materiais recicláveis no Amazonas foi o principal ponto abordado pelo vereador Coronel Rosses durante a Sessão Ordinária da Câmara Municipal de Manaus (CMM), realizada na terça-feira (2/7). Segundo o parlamentar, o cenário reflete o abandono por parte do poder público e demanda ações urgentes.
Rosses relatou que esteve recentemente em Manacapuru, após convite do Ministério Público do Trabalho, onde pôde constatar de perto a dura realidade vivida por esses trabalhadores.
“Presenciei crianças disputando lixo com adultos, em busca de sustento. Essas pessoas recebem, em média, R$ 80 por semana, o que é um reflexo da total ausência de políticas públicas voltadas a essa classe”, declarou Rosses.
Falta de estrutura e reconhecimento
De acordo com o vereador, os catadores vivem em condições extremamente precárias, sem acesso básico a água, energia elétrica ou espaços adequados de trabalho.
“Nenhuma cidade do Amazonas oferece estrutura mínima ou respeito aos catadores. A prefeitura precisa olhar com seriedade para esse problema. Essas pessoas retiram lixo das ruas sob sol e chuva, sem reconhecimento ou apoio”, afirmou.
O parlamentar também enfatizou que a luta por melhorias não se trata de bandeira política, mas de uma questão humanitária e ambiental.
“Deveríamos ser referência em políticas públicas ambientais e no reaproveitamento de materiais recicláveis, mas o que vemos é o abandono completo”, criticou.
Projeto de lei e articulação política
O vereador informou que está articulando, junto à base do prefeito, um projeto de lei que prevê melhores condições de trabalho e reconhecimento para os catadores. A proposta busca garantir emendas parlamentares para investir na categoria, além de mecanismos para que as cooperativas de reciclagem possam ser formalmente contratadas pelo município, sem necessidade de licitação, como já é previsto em lei.
A presidente da associação Nova Recicla, Suelen Cardoso Ramos, também se pronunciou durante a discussão e reforçou as denúncias sobre a precariedade enfrentada pelos catadores de materiais recicláveis. Segundo ela, a falta de infraestrutura básica é uma realidade cotidiana.
“Falta água, falta luz, e trabalhamos em galpões insalubres. Em média, conseguimos apenas R$ 800 por mês para sustentar nossas famílias. O que queremos é reconhecimento e a contratação direta das cooperativas. Essa é a nossa maior luta”, declarou.
Além disso, também cobrou uma postura mais firme da Prefeitura de Manaus e afirmou que a legislação permite a contratação das cooperativas, mas que falta vontade do poder público para colocar em prática.
“A legislação permite a contratação, mas falta vontade política. Cadê o poder público para fiscalizar e fazer acontecer? Essa luta é árdua, mas é um direito que nos pertence”, finalizou.
