Política

“Vereadores se comportaram como ratos”, afirma viúvo de biomédica e gera indignação na CMM

A discussão ocorreu na manhã desta terça-feira (12/8), durante a 63ª sessão ordinária realizada na Câmara Municipal de Manaus (CMM)

Escrito por Kataryne Dias
12 de agosto de 2025
Foto: Kataryne Dias/Diário da Capital

Na manhã desta terça-feira (12/8), durante a 63ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Manaus (CMM), o vereador Coronel Rosses (PL) voltou a comentar o caso da biomédica Giovana Aquino, que morreu grávida de oito meses após cair de moto em um buraco na avenida Djalma Batista. Ele reforçou o pedido de justiça para as vítimas.

O viúvo de Giovana, João Vitor, fez um apelo direto aos vereadores para que mantenham firme a recém-criada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigará o programa responsável pela manutenção das vias.

Durante o discurso, João afirmou que alguns vereadores distorceram o conceito de “Casa do Povo” a mando do prefeito. Ele relatou ter visto sua família sendo humilhada e acusou alguns parlamentares de se comportarem como “ratos”.

“Vi minha família sendo humilhada, enquanto alguns vereadores se comportaram como ratos, apagaram as luzes, desligaram o painel e saíram silenciosamente, nos deixando ali aos prantos”, alegou João

Foto: Kataryne Dias/Diário da Capital 

A declaração gerou reação imediata do vereador Eduardo Alfaia (Avante), que repreendeu o viúvo, afirmando que não poderia compactuar com esse tipo de fala por ser uma infração regimental. Alfaia ressaltou que respeita a dor de João, mas não aceita a rotulação dos parlamentares como “ratos”.

“Com todo respeito à sua dor e à da sua família, mas o senhor não tem o direito de vir a esta Casa chamar os vereadores de ‘ratos’. Peço desculpas, mas essa fala não cabe aqui. Sabe por quê? Porque eu não me encaixo nesse tipo de acusação. Se alguns aqui aceitam, eu, vereador que vos fala, não aceitarei essa rotulação, sempre com todo respeito à sua dor”, comentou. 

O vereador Gilmar Nascimento (Avante) também se manifestou, criticando a forma como o vereador Coronel Rosses conduziu a situação. Segundo Gilmar, Rosses não seguiu o regimento interno da Casa ao trazer João Vitor para discursar sem os procedimentos formais previstos, como uso da tribuna popular ou apresentação de requerimentos.

“Existe um regimento, e ele não pode trazer alguém aqui para falar em seu lugar. Não é assim que funciona. A pessoa não pode simplesmente rasgar o regimento. Ele sabe que existe a tribuna popular e que existem os requerimentos. Ele repete a mesma coisa pela segunda vez, chegando aqui para criticar duramente os vereadores”, concluiu.

Gilmar Nascimento (Avante) — Foto: Divulgação/Assessoria do parlamentar 

Após a discussão, João Vitor voltou à tribuna e afirmou ter recebido acolhimento na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), mas não na Câmara Municipal. Ele denunciou que os buracos nas ruas de Manaus continuam matando pessoas e que deputados aliados ao prefeito David Almeida (Avante) estariam formando um “castelo de proteção” para protegê-lo.

João Vitor alegou ainda que as autoridades eleitas não estariam protegendo a população. Embora reconheça que existam vereadores sérios, criticou a demora da CMM em agir e disse que a CPI instaurada na Aleam deveria ter sido iniciativa da Câmara Municipal. “Quantas vidas ainda serão perdidas? Não há mais tempo para discussões; quando a pessoa morre, a discussão acaba. É hora de agir, cobrar o prefeito, saber para onde foi o dinheiro. Minha família morreu por causa de um buraco e preferem proteger quem matou eles por negligência”.

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