A saudade tem rosto, nome e sobrenome: Benício Xavier Freitas, que morreu aos 6 anos de idade por um erro médico é lembrado pelos pais como uma criança amorosa e dedicada.
O caso aconteceu em novembro do ano passado, e a dor da perda ainda é recente, mas as lembranças de quem Benício Xavier foi seguem vivas na fala do pai, Bruno Freitas. Dias após a conclusão do inquérito policial que apontou responsabilidades pela morte do menino, a família tenta transformar o luto em memória e busca por justiça.
“Nada que falarmos vai trazer o Benício de volta, porém há uma pitada de esperança que a justiça seja feita. Benício era uma criança carinhosa, pois nos abraçava e falava que nos amava espontaneamente. Uma criança feliz, pois sempre estava sorrindo e brincando; estudiosa, pois acordava sempre disposto a ir à escola e nunca negou em fazer um dever de casa; compreensivo, pois nunca deixou de nos obedecer“, disse o pai.

Arquivo Pessoal
A investigação conduzida pela Polícia Civil do Amazonas concluiu que houve uma sequência de falhas no atendimento prestado ao menino no Hospital e Pronto-Socorro Santa Júlia, em Manaus. O inquérito pede o indiciamento da médica responsável, de uma técnica em enfermagem e de dois diretores do hospital.
De acordo com o relatório, Benício deu entrada na unidade com sintomas considerados comuns, como tosse seca e suspeita de laringite. No entanto, a administração de uma dose incorreta de adrenalina na veia levou a uma rápida piora no quadro clínico da criança, causando sucessivas paradas cardíacas.
Benício foi transferido para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas não resistiu.
Para a família e amigos, Benício deixa saudade e sua precoce partida causa uma sensação de impotência. Segundo o pai, a criança marcava a todos por onde passava.
“Participativa nas atividades da escola, e ficava preocupado em fazer da maneira correta; Amigo, pois sempre cuidava e defendia seus amigos; uma criança acolhedora, pois sempre fazia novas amizades por onde passava; será sempre lembrado com pureza, pois entre os seus melhores amigos, um era PCD e outro autista”, lembra Bruno.
Mais do que um número
Benício, infelizmente, não é um caso isolado. Dados do Anuário de Segurança Assistencial Hospitalar, publicado pelo Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), revela que cinco pessoas morrem a cada minuto no país devido a erros médicos, totalizando quase 55 mil pacientes por ano.
Benício é uma vítima de um erro médico investigado. Ele era uma criança em pleno desenvolvimento, com vínculos, rotina e afetos construídos no dia a dia.
Enquanto o caso avança na esfera judicial, a família acompanha os desdobramentos com a expectativa de responsabilização. Ao mesmo tempo, tenta preservar aquilo que nenhuma decisão pode reparar: a memória de quem Benício foi em vida.
