Meio Ambiente

Indígenas catalogam espécies na Amazônia para proteger biodiversidade

Pesquisa na Terra Indígena Panará já registrou quase 15 mil indivíduos de 602 espécies em uma área de 500 mil hectares entre Pará e Mato Grosso

Escrito por Redação
22 de agosto de 2026
Pesquisadores Panará unem conhecimento ancestral e tecnologia para mapear a biodiversidade amazônica - Foto: André Villas Bôas/ ISA

Uma iniciativa que une conhecimento indígena e ciência acadêmica está mapeando a biodiversidade da Terra Indígena Panará, na Amazônia. O inventário já registrou quase 15 mil indivíduos de 602 espécies de fauna e flora em uma área de 500 mil hectares, na divisa entre Pará e Mato Grosso.

O levantamento é realizado por pesquisadores indígenas e de universidades públicas, com apoio da Conservação Internacional (CI-Brasil), da Rede Xingu+ e da Associação Indígena Iakiô. As equipes percorrem trilhas, coletam imagens e amostras e utilizam tecnologias como GPS, aplicativos de catalogação e câmeras acionadas por movimento ou calor.

Entre as espécies identificadas, 27 estão criticamente ameaçadas de extinção. O estudo também encontrou uma árvore conhecida pelos Panará como “Já”, que está sendo analisada pelos pesquisadores por uma possível novidade para a ciência. A identificação, no entanto, ainda depende de novas coletas e avaliação de especialistas.

O trabalho mostra a importância do conhecimento tradicional para a conservação da floresta. Os pesquisadores indígenas contribuem com a experiência acumulada sobre o território, enquanto os acadêmicos oferecem ferramentas científicas e tecnológicas. A expectativa é concluir o inventário e disponibilizar os dados no Sistema de Informação sobre a Biodiversidade Brasileira (SiBBr), preservando também a autoria e o protagonismo dos povos Panará.

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