Fungos invisíveis a olho nu podem se tornar aliados na recuperação de áreas degradadas e no enfrentamento da crise climática. A proposta foi apresentada pelas pesquisadoras Toby Kiers e Burenjargal Otgonsuren durante um encontro na Mongólia, realizado no contexto da 17ª Conferência das Nações Unidas sobre Combate à Desertificação (COP17).
O foco está nos chamados fungos micorrízicos, que vivem em associação com as raízes das plantas e formam extensas redes no solo. Nessa relação, os fungos recebem carbono produzido pelas plantas durante a fotossíntese e, em contrapartida, ajudam na absorção de água e nutrientes, como fósforo e nitrogênio.
Além de favorecer o desenvolvimento da vegetação, essas redes subterrâneas ajudam a unir as partículas do solo, reduzem a erosão e aumentam a capacidade das plantas de resistir à seca e a outros impactos ambientais. Na Mongólia, os pesquisadores testam a proteção temporária de pequenas áreas de pastagem, impedindo a entrada de animais e a ação humana.
A expectativa é que esses espaços funcionem como uma espécie de “banco” natural de fungos, preservando a biodiversidade subterrânea e permitindo, futuramente, o uso de organismos locais em projetos de restauração. A estratégia pode representar uma alternativa de baixo impacto para recuperar solos e fortalecer ecossistemas diante do avanço da desertificação e das mudanças climáticas.
