Meio Ambiente

Seca avança no mundo e acende alerta para Amazônia antes da COP17

Frequência e duração das estiagens aumentaram quase 30% desde 2000; no Brasil, 157 municípios enfrentaram seca severa em julho

Escrito por Redação
17 de agosto de 2026
Secas mais frequentes e intensas colocam a Amazônia no centro do debate climático mundial - Foto: Rafa NedderMeyer/ Agência Brasil

A seca deixou de ser um problema restrito às regiões tradicionalmente áridas e passou a atingir áreas consideradas menos vulneráveis. Segundo a Convenção das Nações Unidas de Combate à Desertificação (UNCCD), a frequência e a duração das secas aumentaram quase 30% desde 2000. O cenário será um dos principais temas da COP17 da Desertificação, que começa neste domingo (17/8), na Mongólia.

No Brasil, os sinais também preocupam. As cinco regiões registraram algum nível de seca em julho, e 157 municípios foram classificados em situação de seca severa, com impactos sobre a umidade do solo, a vegetação e a produção agrícola. Segundo o Cemaden, o país apresenta tendência de ressecamento, associada à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas.

A Amazônia está entre as regiões mais vulneráveis. As secas históricas de 2023 e 2024 provocaram níveis recordes de baixa nos rios, isolamento de comunidades e dificuldades para o transporte e o abastecimento de alimentos e medicamentos. Em julho deste ano, o número de territórios indígenas afetados por seca severa subiu de três para 17, enquanto centenas de assentamentos rurais também passaram a enfrentar condições extremas.

O alerta pode ganhar força com a previsão de um El Niño mais intenso entre agosto e outubro, fenômeno que historicamente está associado à redução das chuvas e ao aumento das temperaturas no Norte, Nordeste e parte do Centro-Oeste. Na Amazônia, a combinação pode elevar a vulnerabilidade a secas prolongadas, estiagens rápidas e queimadas.

Na COP17, que segue até 28 de agosto, a discussão deve avançar da reação às emergências para medidas de prevenção, como sistemas de alerta precoce, recuperação de áreas degradadas, gestão da água e adaptação das populações. A expectativa é ampliar a cooperação internacional diante de um problema que já ultrapassou fronteiras e que, na Amazônia, deixou de ser apenas uma ameaça futura para fazer parte do cotidiano de comunidades inteiras.

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