Justiça

Homem que atropelou cães em Manaus tem prisão preventiva decretada pela Justiça

Jefferson Buhler Figliuolo, de 35 anos, foi preso quando tentava embarcar para São Paulo; ele confessou o crime e afirmou que não se arrependia do ato

Escrito por Deyvid Jhonatan
24 de abril de 2026
Foto: Reprodução/Instagram

A Justiça do Amazonas decretou a prisão preventiva de Jefferson Buhler Figliuolo, de 35 anos, suspeito de atropelar uma matilha de cães ao invadir propositalmente uma calçada no bairro Parque 10 de Novembro, na zona Centro-Sul de Manaus. O caso ocorreu na tarde de 22 de abril, na rua Adalto Uchôa, no conjunto Shangrilá II, e resultou na morte de uma cadela e no ferimento de outros cinco animais.

O suspeito foi localizado horas depois no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes, onde aguardava um voo com destino a São Paulo. A prisão ocorreu antes do embarque. Ele foi encaminhado à Delegacia Especializada em Crimes Contra o Meio Ambiente e Urbanismo, onde passou pelos procedimentos legais.

Em depoimento, a investigadora responsável pela condução do flagrante afirmou que Figliuolo confessou o crime e demonstrou indiferença. Segundo trecho do processo, ele afirmou que não estava arrependido e que faria novamente, pois agora iria “dormir sossegado”, já que os cachorros eram barulhentos. A declaração foi considerada relevante no processo.

Durante a audiência de custódia, o Ministério Público, representado pelo promotor de Justiça Thiago de Melo, manifestou-se pela manutenção da prisão. “Em razão dos elementos coligidos aos autos, dos indícios de autoria, da periculosidade e da gravidade concreta do caso, o Ministério Público pugnou pela decretação da prisão preventiva“, afirmou a instituição.

A defesa do suspeito pediu o relaxamento do flagrante ou a concessão de liberdade provisória com medidas cautelares, mas o pedido não foi acolhido. Na decisão, o juiz plantonista Ian Andrezzo Dutra reconheceu inicialmente vícios no auto de prisão em flagrante e determinou o relaxamento formal. No entanto, ao analisar o pedido de prisão preventiva, decidiu pela manutenção da custódia.

O magistrado destacou a gravidade do caso em razão da quantidade de animais atingidos, do uso do veículo para cometer o delito e da veiculação de vídeo em que o suspeito afirmou que repetiria o ato. “A necessidade de acautelar a ordem pública e impedir a reiteração delitiva é premente”, escreveu o juiz.

O risco de fuga também pesou na decisão, uma vez que o suspeito foi preso tentando deixar o estado. “Estava em fuga para outro Estado quando foi preso dentro da sala do Aeroporto Internacional de Manaus“, apontou a representação policial.

Relembre o caso

Imagens de câmeras de segurança mostram o momento em que um carro branco surge em alta velocidade, sobe na calçada e atinge o grupo de cães. Testemunhas relataram que sete animais estavam no local no momento do atropelamento. Um dos cães morreu no local, enquanto outros ficaram feridos, alguns em estado grave.

Dois dos animais feridos precisaram de internação no Hospital Público Veterinário do Amazonas — um deles apresentou contusão pulmonar, mas nenhum está em estado grave, segundo a Secretaria de Estado de Proteção Animal (Sepet).

Os animais atingidos eram considerados cães comunitários, cuidados coletivamente por moradores da região, que forneciam alimentação, água e, em alguns casos, atendimento veterinário. Há ainda relatos de que o suspeito já demonstrava hostilidade contra os animais em redes sociais e grupos de mensagens antes do incidente.

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