Amazonas

História e diversidade indígena: São Gabriel da Cachoeira completa 134 anos hoje, 3/9 

De acordo com o IBGE, cerca de 90% da população de São Gabriel da Cachoeira é indígena; município se destaca por adotar oficialmente três línguas indígenas: Nheengatu, Tukano e Baniwa

Escrito por Kataryne Dias
3 de setembro de 2025
Foto: Aguida Bezerra

Nesta quarta-feira (3/9), São Gabriel da Cachoeira, município fundado oficialmente em 3 de setembro de 1891, completa 134 anos. Localizado no extremo noroeste do Amazonas, na região conhecida como “Cabeça do Cachorro”, faz fronteira com a Venezuela e a Colômbia.

De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a fundação do município, registrada pela Lei Estadual nº 10, marca o início da sua organização administrativa. A data simboliza também a consolidação de um território que abriga uma das maiores populações indígenas do Brasil e preserva uma riqueza cultural única, refletida nas tradições, línguas e práticas ancestrais de seus povos originários.

Apesar das origens ligadas às missões religiosas e expedições militares, a história do município é muito mais antiga: o território é habitado há milhares de anos pelos povos indígenas do Alto Rio Negro. Esse legado permanece vivo até hoje, uma vez que São Gabriel é reconhecido como o município mais indígena do Brasil

São Gabriel da Cachoeira — Foto: TacioMelo/Amazonastur 

Segundo os dados do IBGE, estima-se que cerca de 90% da população de São Gabriel da Cachoeira seja formada por indígenas de diferentes etnias como: 

  • Tukano;
  • Baniwa;
  • Yanomami;
  • Baré;
  • Dessana; 
  • Tariana. 

Em reconhecimento a essa identidade, São Gabriel da Cachoeira entrou para a história em 2002, ao se tornar o único município brasileiro a ter, além do português, três línguas indígenas oficiais: Nheengatu, Tukano e Baniwa. A decisão reforça a importância da pluralidade linguística e do respeito às tradições dos povos do Rio Negro.

As organizações indígenas desempenham papel central na vida social e política de São Gabriel da Cachoeira. Entre elas, a Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) se destaca por sua atuação na defesa dos direitos coletivos, na valorização cultural e na proteção dos territórios tradicionais.

Indígenas da etnia Yanomami — Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil 

Esse protagonismo contribui para que os povos da região mantenham vivas suas tradições, fortalecendo a identidade indígena em um espaço marcado pela diversidade. 

A presença indígena se manifesta no dia a dia do município: no artesanato que valoriza técnicas ancestrais, na culinária baseada em ingredientes da floresta, nas celebrações culturais que preservam rituais e mitologias, além da relação com a natureza, que guia práticas sustentáveis e a transmissão de saberes entre gerações.

Artesanato: identidade cultural e geração de renda

O artesanato indígena é uma das principais manifestações culturais e econômicas de São Gabriel da Cachoeira. Produzido principalmente por mulheres, são utilizadas técnicas tradicionais passadas de geração em geração, com matérias-primas da floresta, como: sementes, argilas, palhas de cipó, fibras e madeiras, para criar colares, cestos, redes, instrumentos musicais e peças utilitárias.

Artesanato Baniwa — Foto: Kataryne Dias/Diário da Capital  

O artesanato indígena do município não se resume apenas à produção de peças decorativas. Cada objeto carrega significados espirituais e simbólicos ligados à cosmologia dos povos do Alto Rio Negro, refletindo sua visão de mundo e a relação com a natureza.

Além do valor cultural, essas produções se tornaram uma importante fonte de renda, sobretudo para as mulheres artesãs, que desempenham papel essencial na transmissão de saberes e no sustento de suas famílias. 

A comercialização das peças fortalece a economia local, assegura maior autonomia financeira às comunidades indígenas e, ao mesmo tempo, contribui para a preservação ambiental e a valorização das tradições ancestrais. 

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