A acessibilidade continua sendo um desafio para milhares de pessoas com deficiência física em Manaus. Dados do Censo Demográfico do IBGE apontam que 147.873 moradores da capital amazonense possuem algum tipo de deficiência física, o equivalente a 7,4% da população com dois anos ou mais de idade.
Apesar dos avanços na legislação, obstáculos como calçadas irregulares, ausência de rampas e dificuldades de acesso ao transporte coletivo ainda fazem parte da rotina de quem depende de estruturas adaptadas para se locomover pela cidade. A falta de acessibilidade impacta diretamente a autonomia, a inclusão social e o acesso a serviços básicos.
O artista amazonense Miguel Maia relata que precisa sair de casa com grande antecedência para garantir que conseguirá chegar aos compromissos no horário. “Eu tenho que sair de casa uma hora e meia antes para pegar o ônibus. Muitas vezes o primeiro elevador não funciona, o segundo também não. Só no terceiro ônibus eu consigo embarcar. É cansativo e não deveria ser assim”, afirma.
Além das falhas estruturais, Miguel destaca a necessidade de qualificação dos profissionais que atuam no transporte público. “Também acho inadmissível que muitos motoristas e cobradores não estejam preparados para atender pessoas com deficiência, independentemente de qual seja”, ressalta.
Mesmo diante das dificuldades, o artista segue utilizando a música e o beatbox como ferramentas de expressão e conscientização. Para ele, ampliar a acessibilidade significa garantir direitos, promover inclusão e assegurar mais qualidade de vida para milhares de pessoas que enfrentam barreiras diariamente em Manaus.
