Cidade

Entre o lixo e a lama: a rotina de acidentes e prejuízos dos moradores do Armando Mendes

Abandono do igarapé na Rua Q do bairro transforma simples chuva em pesadelo diário para famílias sem direito de ir e vir

Escrito por Micaele Souza
21 de julho de 2026
Alagamentos deixam moradores ilhados e expõem abandono na Rua Q - Foto: Walber Breno/ DC

A água acumulada na Rua Q, no bairro Armando Mendes, zona Leste de Manaus, já faz parte da paisagem e da rotina dos moradores. O que deveria ser uma via de acesso para casas, escolas e locais de trabalho permanece tomado pelo alagamento, dificultando a passagem de pedestres, motociclistas e veículos. Quando chove, a situação se agrava, tornando o trecho ainda mais perigoso e praticamente intransitável.

Segundo os moradores, o problema não é recente. Há anos, eles convivem com a falta de limpeza do igarapé e com falhas no sistema de drenagem, fatores que fazem a água permanecer na rua por horas e, em alguns casos, invadir residências. Enquanto isso, quem depende da via para estudar, trabalhar ou realizar atividades do dia a dia enfrenta riscos e transtornos constantes.

O morador Renato Leal conta que, em dias de chuva, um trajeto simples se torna um desafio.

“Quando tá seco, dá pra passar. Mas quando chove, não tem como. Eu tenho que dar a volta pela ponte para levar meus netos à escola. As crianças e os moradores enfrentam essa dificuldade toda vez que a rua alaga”.

Além da dificuldade de acesso, os moradores afirmam que a falta de manutenção agravou as condições da via. Buracos aumentaram, bueiros ficaram obstruídos e o lodo acumulado tornou o trecho ainda mais perigoso.

A dona de casa Cláudia das Dores relata que os prejuízos vão além da mobilidade.

“Os buracos aumentaram, os bueiros entupiram e quem passa por aqui enfrenta muitos transtornos. Tem moto que cai, carro que é danificado, pessoas que escorregam por causa do lodo. Quando chove, a água invade as casas e quem mora aqui acaba ficando ilhado”.

Os impactos também atingem quem depende da rua para trabalhar. O entregador de medicamentos Tiago Neves afirma que precisa passar pelo local praticamente todos os dias e diz que o estado da via compromete o serviço e coloca sua segurança em risco.

“Eu faço entrega de medicamentos e preciso passar por aqui quase todos os dias. A situação é muito complicada, a moto fica atolada e eu já cheguei até a cair e esse problema já existe há bastante tempo”.

Enquanto uma solução definitiva não é apresentada, os moradores seguem convivendo com os transtornos provocados pelos alagamentos. A cada chuva, o medo de novos prejuízos e das dificuldades para sair de casa volta a fazer parte da rotina de quem espera, há anos, por obras que garantam segurança e mobilidade.

A reportagem do Diário da Capital entrou em contato com os órgãos responsáveis pela limpeza e pela drenagem da área para questionar quais medidas serão adotadas para solucionar o problema. Até o fechamento desta matéria, não houve retorno.

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