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Estudo aponta taxas de suicídio desproporcionalmente altas entre indígenas

Pesquisa inédita revela aumento nas taxas de suicídio entre indígenas brasileiros, com maior risco em jovens de 10 a 24 anos e nas regiões Norte e Centro-Oeste

Escrito por
Thiago Freire
September 26, 2023
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Pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e da Universidade de Harvard conduziram o primeiro estudo nacional que examina as taxas de suicídio entre indígenas e não indígenas no Brasil, abrangendo o período de 2000 a 2020. Os resultados revelam um risco desproporcionalmente maior de suicídio entre os indígenas, com maior incidência entre os jovens de 10 a 24 anos. As regiões Norte e Centro-Oeste do país apresentaram os maiores riscos de suicídio, com destaque para os estados do Amazonas e Mato Grosso do Sul.

O estudo, publicado na revista The Lancet Regional Health – Americas, lança luz sobre um grave problema de saúde pública, especialmente no contexto do Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio no Brasil. Um dos coautores do estudo, o epidemiologista Jesem Orellana, chefe do Laboratório de Modelagem em Estatística, Geoprocessamento e Epidemiologia do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), destaca a importância do estudo para abordar essa questão negligenciada.

A pesquisa se baseou no banco de dados oficial de mortalidade do Ministério da Saúde e teve como objetivo analisar as taxas de suicídio e suas tendências entre indígenas e não indígenas no Brasil. O estudo, intitulado "Suicídio entre povos indígenas no Brasil de 2000 a 2020: um estudo descritivo", revelou que, de forma geral, as taxas de suicídio foram mais altas em homens indígenas e em indivíduos de 10 a 24 anos de idade.

Segundo Jesem Orellana, em homens das regiões Centro-Oeste e Norte, as taxas de suicídio chegaram a ser alarmantes, alcançando 73,75 e 52,05 por 100 mil habitantes em 2018 e 2017, respectivamente. Além disso, as taxas entre indivíduos de 10 a 24 anos na Região Norte, grupo de maior risco para o suicídio indígena, aumentaram substancialmente a partir de 2013, contrariando a tendência de queda observada na Região Centro-Oeste.

O estudo também identificou que, a nível nacional, tanto as taxas de suicídio entre a população indígena quanto entre a população não indígena aumentaram de 2000 a 2020. No entanto, essa tendência não pode ser generalizada, especialmente entre os indígenas, com estados como o Amazonas e Mato Grosso do Sul sendo os principais responsáveis pelas substanciais diferenças nas taxas de suicídio.

Os resultados do estudo ressaltam a extrema vulnerabilidade dos indígenas ao suicídio no Brasil, especialmente entre os homens e os jovens de 10 a 24 anos residentes nas regiões do Amazonas e Mato Grosso do Sul. Isso destaca a necessidade urgente de alocar recursos financeiros e desenvolver estratégias para reduzir os fatores de risco associados ao suicídio, como desigualdades sociais e acesso limitado à saúde mental.

Jesem Orellana enfatiza que o suicídio indígena deve ser reconhecido como um sério problema de saúde pública, influenciado por uma série de fatores contextuais e culturais, como conflitos territoriais, crises sanitárias, racismo estrutural e questões econômicas, políticas e psicológicas. A pesquisa destaca a importância de abordagens específicas e ações concretas para enfrentar esse desafio e proteger as comunidades indígenas no Brasil.

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