Amazônia

Estudo aponta que fim da Moratória da Soja ameaça avanço da Floresta Amazônica

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Escrito por Redação
18 de julho de 2026
Foto: Estudo aponta que fim da Moratória da Soja ameaça avanço da Floresta Amazônica - Foto: Fernando Frazão/ Agência Brasil

Um estudo publicado na revista científica Science alerta que o fim da Moratória da Soja pode provocar o desmatamento de mais 1,4 milhão de hectares da Amazônia nos próximos dez anos. Segundo os pesquisadores, esse cenário representaria um aumento de 17% em relação às taxas históricas de perda florestal e resultaria na emissão de cerca de 745 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, volume semelhante às emissões anuais do Canadá.

A Moratória da Soja é um acordo voluntário firmado entre empresas, organizações da sociedade civil e o governo. Desde 2008, o compromisso impede a compra de soja produzida em áreas da Amazônia que tenham sido desmatadas após essa data, com o objetivo de reduzir o avanço da produção agrícola sobre a floresta.

O estudo foi elaborado por pesquisadores do WWF-Brasil, Greenpeace Brasil, Land Conservation Association e das universidades de Wisconsin e Illinois, nos Estados Unidos.
De acordo com a pesquisa, caso a Moratória deixe de existir, a pressão sobre áreas de floresta poderá aumentar, principalmente em regiões com potencial para expansão da agricultura e da infraestrutura. Os pesquisadores estimam que até 28,7 milhões de hectares de florestas públicas podem ficar mais vulneráveis à ocupação e ao desmatamento.

O levantamento também mostra os resultados obtidos pelo acordo desde sua criação. Nos primeiros dez anos de vigência, a Moratória reduziu em 35% o desmatamento em áreas consideradas de maior risco para a expansão da soja, evitando a perda de aproximadamente 1,8 milhão de hectares de floresta.

Outro ponto analisado foi o impacto econômico para os produtores rurais. Segundo os autores, os efeitos foram limitados. Apenas cerca de 739 mil hectares de áreas aptas para o cultivo de soja foram desmatados legalmente após 2008, e a maior parte dessas áreas não pertence a propriedades produtoras de soja.

Além disso, a pesquisa identificou cerca de 1,7 milhão de hectares de áreas já abertas e adequadas para o cultivo na Amazônia. Na avaliação dos pesquisadores, isso demonstra que é possível ampliar a produção de soja sem a necessidade de desmatar novas áreas de floresta.

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