Amazônia

Pesquisador do Instituto Mamirauá recebe prêmio internacional por estudos sobre uacaris

Felipe Ennes Silva foi reconhecido pela Sociedade Americana de Primatologia por sua contribuição à pesquisa e conservação dos primatas amazônicos

Escrito por Redação
11 de julho de 2026
Foto: Pesquisador Felipe Ennes Silva recebe prêmio internacional por estudos sobre uacaris na Amazônia - Foto: Marcelo Ismar Santana

O pesquisador do Instituto Mamirauá, Felipe Ennes Silva, recebeu o prêmio Early Career Achievement, concedido pela American Society of Primatologists (Sociedade Americana de Primatologia). A homenagem reconhece jovens cientistas com contribuições relevantes para a primatologia nos primeiros anos após a conclusão do doutorado.

O reconhecimento destaca mais de uma década de pesquisas dedicadas aos uacaris calvos (Cacajao spp.), primatas endêmicos da Amazônia conhecidos pela face avermelhada, cauda curta e adaptações relacionadas à alimentação.

A trajetória de Felipe com a espécie começou em 2012, quando iniciou um projeto de pesquisa na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá. Os primeiros estudos envolveram a habituação dos animais à presença de pesquisadores, etapa essencial para observações de longo prazo sobre comportamento e ecologia.

“Quando comecei a estudar os uacaris, percebi a enorme contribuição dos trabalhos já realizados, mas também o quanto ainda havia para descobrir”, relembra o pesquisador.

Ao longo da carreira, Felipe contribuiu para ampliar o conhecimento sobre a evolução dos uacaris, principalmente por meio de pesquisas em genética. Seus estudos ajudaram a compreender como mudanças históricas na paisagem amazônica, como alterações nos grandes rios, influenciaram a diversidade genética, a distribuição e a evolução dessas espécies.

O pesquisador realizou doutorado em Biologia Evolutiva pela University of Salford, no Reino Unido, onde sua tese recebeu a Napier Memorial Medal, concedida pela Primate Society of Great Britain. Ele foi o primeiro latino-americano a receber a honraria. Atualmente, além de pesquisador associado do Instituto Mamirauá, Felipe é professor da New York University (NYU) e integra redes internacionais de conservação de primatas.

Para ele, o prêmio da Sociedade Americana de Primatologia representa o reconhecimento de uma trajetória construída com apoio de colegas, instituições e colaboradores.

“Foi muito gratificante receber essa homenagem justamente neste momento em que estou estruturando um laboratório, consolidando um grupo de pesquisa e começando a formar novos alunos”, afirma.

Entre os próximos desafios do pesquisador estão estudos sobre a ecologia alimentar dos uacaris e o microbioma intestinal desses animais, buscando entender como eles respondem às secas extremas que têm se tornado mais frequentes na Amazônia.

“Queremos entender como as mudanças na disponibilidade de alimento influenciam a espécie e formar uma base sólida de conhecimento para orientar estratégias de conservação”, explica.

Para Felipe, conhecer profundamente a biodiversidade amazônica é essencial para proteger as espécies.

“A pesquisa tem um papel fundamental para orientar ações de conservação. Precisamos entender os desafios da Amazônia e formar novas gerações de pesquisadores para reduzir as chances de extinção desses primatas nas próximas décadas”, conclui.

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