Uma pesquisa da Universidade Yale, nos Estados Unidos, identificou diferenças na forma como o cérebro de crianças com Transtorno do Espectro Autista (TEA) processa imagens de rostos. Publicado na revista científica Nature Mental Health, o estudo analisou cerca de 400 crianças autistas e não autistas, distribuídas em três faixas etárias: de 6 a 7, de 8 a 9 e de 10 a 11 anos.
Para investigar essas diferenças, os pesquisadores utilizaram a eletroencefalografia (EEG), exame que registra a atividade elétrica cerebral. Os resultados apontaram padrões distintos de resposta aos rostos e mudanças nessa atividade ao longo da infância, sugerindo diferenças nas trajetórias de desenvolvimento do processamento visual entre os grupos analisados.
Segundo os pesquisadores, as descobertas podem ampliar o conhecimento sobre o desenvolvimento cerebral de crianças autistas e contribuir, futuramente, para estratégias de acompanhamento mais individualizadas. Os dados também poderão orientar novas investigações sobre ferramentas de identificação precoce do autismo e intervenções adaptadas às necessidades de cada criança.
Apesar dos resultados, os cientistas ressaltam que a pesquisa não representa a criação de um novo exame para diagnosticar o autismo. A identificação do TEA continua baseada em avaliação clínica realizada por profissionais habilitados, considerando aspectos do desenvolvimento, da comunicação e do comportamento.
O estudo também reforça a importância de reconhecer a diversidade de características e necessidades das pessoas autistas. Para os pesquisadores, compreender melhor essas particularidades pode favorecer práticas de acolhimento e apoio que respeitem as individualidades e promovam mais qualidade de vida.
