Saúde

Células raras no cérebro podem explicar por que algumas pessoas resistem aos sintomas do Alzheimer

Pesquisa realizada na Holanda identificou neurônios imaturos em idosos com mais de 80 anos e aponta possíveis mecanismos de proteção contra a perda de memória

Escrito por Redação
31 de outubro de 2026
Pesquisa identifica células cerebrais raras que podem ajudar a compreender a resistência de alguns idosos aos sintomas do Alzheimer - Foto (IA): Diário da Capital

Uma pesquisa realizada na Holanda identificou células cerebrais raras que podem ajudar a explicar por que algumas pessoas apresentam alterações associadas ao Alzheimer, mas não desenvolvem sintomas da doença. O estudo, conduzido por cientistas do Instituto Holandês de Neurociências (KNAW) e publicado na revista Cell Stem Cell, analisou tecidos cerebrais doados por pessoas com diferentes condições cognitivas, incluindo idosos com mais de 80 anos.

Os pesquisadores encontraram neurônios imaturos, células nervosas ainda em desenvolvimento, em todos os grupos analisados: pessoas sem alterações cerebrais detectáveis, pacientes com demência causada pelo Alzheimer e indivíduos que apresentavam sinais da doença, mas mantinham a capacidade cognitiva preservada. A descoberta chama atenção porque essas células são extremamente raras e difíceis de identificar no cérebro humano adulto.

A principal diferença observada estava no comportamento das células. Nos idosos que não apresentavam sintomas, apesar das alterações cerebrais, os neurônios imaturos demonstraram sinais de ativação de mecanismos associados à sobrevivência celular e à proteção contra danos. Também foram identificados níveis mais baixos de sinais relacionados à inflamação e à morte das células nervosas.

Segundo a pesquisadora Evgenia Salta, uma das responsáveis pelo estudo, essas células podem desempenhar um papel importante na manutenção do funcionamento cerebral. A hipótese é que, além de uma possível participação na formação de novos neurônios, elas contribuam para preservar o tecido nervoso e favorecer a comunicação entre as células, mesmo diante de alterações relacionadas ao Alzheimer.

Apesar dos resultados promissores, a pesquisa ainda não comprova que essas células sejam responsáveis pela resistência aos sintomas da doença, nem que novos neurônios sejam produzidos continuamente durante a velhice. Os cientistas pretendem investigar como essas estruturas interagem com outras células cerebrais. A expectativa é ampliar o conhecimento sobre os mecanismos naturais de proteção do cérebro e, futuramente, contribuir para o desenvolvimento de novas estratégias de prevenção e tratamento.

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