Saúde

Polilaminina: tratamento experimental na medula espinhal gera esperança, mas ainda não tem eficácia comprovada

Substância desenvolvida por pesquisadores brasileiros apresenta resultados preliminares promissores, mas depende de novos estudos para comprovar segurança e benefícios

Escrito por Redação
1 de novembro de 2026
Polilaminina é investigada como possível tratamento para lesões na medula espinhal, mas ainda depende de comprovação científica - Foto: Divulgação

A polilaminina, substância experimental desenvolvida a partir da laminina, proteína presente no organismo humano, tem despertado expectativas como possível tratamento para pessoas com lesões na medula espinhal. Pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) investigam sua capacidade de estimular conexões nervosas e favorecer a recuperação de movimentos. Apesar do potencial identificado nas pesquisas iniciais, ainda não existem evidências científicas suficientes para comprovar sua eficácia em seres humanos.

Um estudo-piloto realizado com oito pacientes identificou possíveis melhoras motoras após a aplicação da substância. No entanto, o número reduzido de participantes e a ausência de um grupo de controle impedem conclusões definitivas sobre os resultados. Em janeiro de 2026, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou um estudo clínico de fase 1, com cinco voluntários, destinado principalmente à avaliação da segurança do tratamento.

O debate sobre a polilaminina ganhou força em outubro, quando a Anvisa restringiu as autorizações de uso compassivo, modalidade que permite o acesso excepcional a tratamentos experimentais em situações específicas. A agência apontou a insuficiência de evidências sobre segurança e notificações de mortes entre pacientes que receberam a substância, sem estabelecer uma relação causal entre os óbitos e o produto.

O laboratório Cristália, responsável pelo desenvolvimento clínico e patrocinador dos estudos, afirmou que os casos de morte notificados não tiveram relação com a polilaminina. A avaliação dos possíveis riscos e benefícios, entretanto, depende de investigações científicas mais amplas, com acompanhamento dos participantes e métodos capazes de demonstrar se os resultados observados decorrem efetivamente da substância.

Enquanto as pesquisas avançam, especialistas reforçam que a polilaminina não pode ser considerada uma cura comprovada para lesões medulares. Pacientes e familiares devem buscar informações em fontes científicas e órgãos reguladores, além de manter o acompanhamento médico e os programas de reabilitação indicados para cada caso.

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