Política

Prostituição política: quando lealdade vira moeda de troca pelo poder

Troca de grupos, discursos e alianças expõe uma prática em que conveniência fala mais alto que princípios — e a reputação pode ser o preço final

Escrito por Lissandro Breval
15 de setembro de 2026
Na política de conveniências, cargos e influência podem mudar de mãos; a reputação, nem sempre - Foto (IA): Diário da Capital

Existe uma forma de prostituição que não acontece nas esquinas: acontece nos corredores do poder. É a prostituição política aquela em que princípios têm preço, lealdades têm prazo de validade e convicções desaparecem assim que surge uma proposta mais vantajosa.

Há quem tenha feito da própria trajetória uma espécie de balcão de negócios hoje beija a mão de um grupo, amanhã apunhala quem lhe abriu a porta e, depois, reaparece ao lado do novo poderoso como se a história tivesse sido apagada.

Não é ideologia. É conveniência.

Não é lealdade. É investimento.

Não é coragem para disputar o poder. É habilidade para sobreviver à sombra de quem o possui.

O problema é que a política pode até tolerar oportunistas por algum tempo. O eleitor, entretanto, costuma cobrar a conta.

Porque quem vende a própria palavra para permanecer perto do poder pode até ganhar cargos, espaços e influência. Mas existe uma moeda que não se compra credibilidade.

E quando a última porta se fecha, quem passou a vida negociando lealdades descobre que ficou sem aliados — apenas com antigos cúmplices e uma longa lista de traições na memória dos outros.

Na política, pode-se mudar de partido, de grupo e até de discurso. O que não se muda tão facilmente é a reputação.

Colunista

Lissandro Breval

Lissandro Breval

CEO do Diário da Capital

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