O Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, reforça o alerta sobre os riscos provocados pelo tabagismo. O cigarro está associado a doenças respiratórias, cardiovasculares e a diversos tipos de câncer. Para quem deseja abandonar o hábito, o acompanhamento profissional pode ser importante para enfrentar a dependência e reduzir os riscos à saúde.
A nicotina é uma das principais substâncias responsáveis pela dependência do cigarro. Com o consumo frequente, o organismo passa a necessitar da substância, tornando mais difícil interromper o hábito. Além disso, a fumaça do cigarro contém substâncias tóxicas que podem comprometer diferentes órgãos.
A jornalista Daly Ruiz, que fumou durante 28 anos, conta que começou aos 15, após uma aposta com colegas da escola.
“Eu comecei a fumar a partir dos meus 15 anos, uma aposta que eu fiz com colegas na escola. Eu perdi a aposta e comecei fumando aquele cigarro de cravo e canela, que é cheirosinho, gostoso, e continuei fumando durante 28 anos.”
A decisão de parar veio depois de um episódio que fez Daly repensar a relação com o cigarro
“Eu estava numa loja de conveniência, me engasguei com o cigarro e senti aquele gosto amargo. E aí eu resolvi parar de fumar.”
Segundo a jornalista, abandonar o hábito não foi fácil. Ela conta que tentou parar algumas vezes e passou a perceber o cheiro e o gosto do cigarro de outra maneira.
“Não vou mentir, senti sim. Ainda tentei, mas toda vez que eu começava a fumar eu sentia aquele gosto, aquele cheiro. E aí eu comecei a pensar: se eu estou sentindo esse gosto e esse cheiro, as outras pessoas também devem sentir.”
Além do incômodo com o cheiro e o sabor, os primeiros sinais de prejuízo à saúde também contribuíram para a decisão de Daly. Depois dos 30 anos, ela passou a sentir dificuldades para realizar atividades físicas.
“Eu comecei a sentir dificuldade pra fazer caminhada, pra correr, então nem se fala. Subi escada. E aí quando eu fui fazer um check-up médico, o médico me perguntou se eu fumava, eu disse que sim. E ele falou que era por conta disso.”
Dependência química e emocional
Para a pneumologista Clio Heidrich, a dificuldade em abandonar o cigarro está relacionada não apenas à dependência química, mas também aos aspectos emocionais.
“O cigarro causa dependência química, por causa da nicotina. E a dependência psíquica, que a gente fala emocional. Porque muitas pessoas relacionam o cigarro a uma melhora do seu humor.”
Segundo a especialista, o fumante pode associar o cigarro a diferentes estados emocionais, criando uma relação ainda mais difícil de romper.
O tabagismo é um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão e está diretamente relacionado a doenças como enfisema e bronquite crônica. O consumo prolongado também aumenta o risco de problemas cardiovasculares, como infarto e AVC.
Mesmo quando já existem lesões provocadas pelo cigarro, parar de fumar continua trazendo benefícios.
“A lesão que tem, ela não vai regredir, ela vai continuar. Mas, se você parar, você vai ter uma melhora da respiração, uma melhora da alimentação, do cheiro.”
O abandono do cigarro pode envolver mudanças de hábitos e acompanhamento especializado. A orientação é que o fumante não espere o surgimento de uma doença para procurar ajuda.
Para quem deseja iniciar o processo, a Ouvidoria-Geral do SUS, pelo telefone 136, oferece orientações sobre como parar de fumar, onde procurar tratamento e quais serviços estão disponíveis na rede pública.
A ligação é gratuita e o atendimento funciona de segunda a sexta-feira, das 8h às 20h, e aos sábados, das 8h às 18h. O SUS oferece tratamento gratuito para pessoas que desejam abandonar o cigarro.
