O município de Benjamin Constant, no Alto Solimões, sediou uma rodada de negócios que vem consolidando o artesanato indígena como vetor econômico na região. O encontro “Encontro para Tecer Negócios”, articulado pelo Sebrae Amazonas, reuniu associações indígenas, investidores e parceiros estratégicos, movimentando cerca de R$ 100 mil em apenas um dia.
Mais do que vendas imediatas, o evento criou conexões comerciais duradouras entre artesãos e compradores de diferentes partes do país. A iniciativa é resultado de uma expedição prévia que percorreu comunidades indígenas, mapeando cadeias produtivas e preparando os empreendedores para acessar novos mercados.
A estrutura montada chamou atenção pela organização: espaço de exposição, área de embalagem, emissão de notas fiscais e suporte financeiro. O modelo busca profissionalizar o setor sem comprometer a identidade cultural das peças, produzidas por diferentes etnias do Alto Solimões e do Vale do Javari, como Ticuna, Matis, Marubo, Kanamari e Mayuruna.
Para o subsecretário municipal de Assuntos Estratégicos, Neon Solimões, o evento funciona como uma vitrine permanente. “Os investidores vêm, compram, levam para suas lojas e, quando percebem a boa saída dos produtos, voltam a procurar os artesãos. Isso cria uma relação comercial que continua muito além do evento”, afirmou. Segundo ele, edições anteriores já movimentaram mais de R$ 200 mil.
A iniciativa também rendeu reconhecimento institucional: Benjamin Constant recebeu o Prêmio Sebrae Prefeitura Empreendedora na categoria Gestão Inovadora. Para especialistas, o avanço demonstra que o artesanato indígena deixou de ser apenas expressão cultural e passou a ocupar espaço estratégico na economia regional, unindo tradição, sustentabilidade e geração de renda.
