A Polícia Federal concluiu, na manhã desta quarta-feira, 27/8, o inquérito da Operação Tupinambarana Liberta. Cinco agentes públicos do Amazonas foram formalmente indiciados e devem responder pelos crimes de organização criminosa, corrupção eleitoral e abolição do Estado Democrático de Direito.
A investigação apontou que o grupo criminoso teria utilizado parte da estrutura do governo
estadual, inclusive com apoio de membros da força policial, para favorecer uma chapa que
concorria à Prefeitura de Parintins. As práticas identificadas envolvem compra de votos e
ações voltadas a impedir o livre exercício do direito ao voto.
Segundo a PF, os indiciados são o ex-secretário da Cultura do Amazonas (SEC), Marcos Apolo Muniz; o ex-secretário de Administração, Fabrício Barbosa; o ex-presidente da Companhia de Saneamento do Amazonas (Cosama), Armando do Valle; o ex-chefe de Rondas Ostensivas (grupo de elite da PM), Jackson Ribeiro; e o ex-chefe do setor de inteligência da Rocam, Guilherme Navarro.
O inquérito já foi encaminhado ao Ministério Público Eleitoral, que analisará os elementos
apresentados e decidirá pelas medidas judiciais cabíveis. A pena somada dos crimes
investigados pode chegar a 20 anos de reclusão, considerando as qualificadoras previstas
em lei.
Em nota, o Governo do Amazonas afirma que tem colaborado, desde o início, com as investigações e segue à disposição da Justiça e demais instituições para prestar as informações necessárias a fim de esclarecer todos os fatos.
Sobre a Operação
A apuração teve início em 16 de setembro de 2024, após a divulgação de um vídeo gravado na casa de Adriane Cidade, prima e ex-assessora do deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam), que, na época, era candidato a prefeito de Manaus com apoio do Governo do Amazonas.
Nas imagens, os agentes públicos estariam articulando influenciar diretamente nas eleições de Parintins, mediante diversas condutas escusas e formas ilegais de atuação. O material foi entregue à Superintendência da Polícia Federal no Amazonas.

De acordo com a PF, durante as diligências, surgiram indícios de que líderes comunitários ligados a uma facção criminosa nacional estariam ameaçando eleitores e impedindo a circulação de candidatos em determinadas áreas da cidade.
Além disso, os investigadores encontraram sinais de omissão deliberada por parte de
agentes públicos para beneficiar a candidatura favorecida, bem como provas de que o grupo
monitorava adversários políticos e até mesmo os deslocamentos de equipes da Polícia
Federal, numa tentativa de obstruir a atuação da corporação.
A operação foi deflagrada no dia 3 de outubro de 2024 e contou com o apoio da
Corregedoria da Polícia Militar do Amazonas, que acompanhou a execução das ordens
judiciais contra os policiais militares envolvidos.
Após o início das investigações, os agentes públicos foram exonerados pelo governo estadual. A medida foi tomada após a recomendação do Ministério Público do Estado (MPAM), que abriu um Inquérito Civil para investigar o caso.
*Com informações da Polícia Federal
