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Trânsito violento: mortes de motociclistas disparam e hospitais registram alta de internações no Amazonas

Dados revelam avanço da crise no trânsito e aumento da pressão sobre a rede pública de saúde

Escrito por Danilo Castro
21 de maio de 2026
Acidentes de trânsito crescem no Amazonas e aumentam mortes de motociclistas. Foto: Divulgação/SSP

O trânsito no Amazonas tem se tornado cada vez mais perigoso, principalmente para motociclistas. Dados do Instituto Municipal de Mobilidade Urbana (IMMU), Instituto Médico Legal (IML) e da Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM) mostram que 2026 começou com aumento nas mortes e nas internações provocadas por acidentes nas ruas e avenidas do estado.

Entre janeiro e abril deste ano, os acidentes de trânsito deixaram um rastro maior de vítimas em comparação ao mesmo período de 2025. O maior salto foi registrado em fevereiro, quando o número de mortes passou de 14 para 21, aumento de 50%. Em janeiro, os óbitos cresceram 40%, saindo de 15 para 21 vítimas fatais. Março também apresentou alta, com crescimento de 13,6%. Apenas abril registrou leve queda, passando de 24 para 22 mortes.

Além das vidas perdidas, os acidentes também aumentaram a pressão sobre os hospitais públicos. Em março de 2026, a rede estadual registrou 2.789 entradas hospitalares relacionadas ao trânsito, um aumento de 50,2% em relação ao mesmo mês do ano passado, quando houve 1.856 atendimentos.

As motocicletas seguem no centro da crise. Só entre motociclistas, o número de mortes saltou de 30 para 43 em um ano, crescimento de 43,3%. Nas emergências hospitalares, acidentes envolvendo motos continuam liderando os atendimentos mensais, superando com folga ocorrências com carros e atropelamentos.

Para o especialista em trânsito Manoel Paiva, os números mostram que o problema vai além da imprudência individual. Segundo ele, a motocicleta se transformou em uma necessidade para milhares de trabalhadores, especialmente diante das dificuldades do transporte público.

“O dado não pode ser interpretado apenas como resultado de comportamentos individuais inadequados, mas como expressão de um modelo de mobilidade urbana que incorporou rapidamente a motocicleta como solução de deslocamento e trabalho, sem a correspondente adaptação da infraestrutura viária, da fiscalização e da cultura de segurança”, afirmou.

O especialista também cita relatórios da Organização Mundial da Saúde que apontam motociclistas entre os grupos mais vulneráveis no trânsito, principalmente em países de baixa e média renda. Para ele, o crescimento acelerado da frota, aliado à infraestrutura precária e à fiscalização limitada, cria um cenário de risco constante.

Enquanto os números avançam mês após mês, hospitais seguem recebendo vítimas diariamente, e o trânsito amazonense continua cobrando um preço alto da população.

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