O Sistema Único de Saúde (SUS) vai disponibilizar, ainda em 2025, duas novas opções de tratamento hormonal para mulheres com endometriose: o Dispositivo Intrauterino Liberador de Levonorgestrel (DIU-LNG) e o medicamento desogestrel. O SUS tem até 180 dias para garantir a oferta gratuita dos tratamentos em toda a rede pública.
A decisão foi oficializada pelo Ministério da Saúde por meio das Portarias SECTICS/MS N° 41/2025 e N° 43/2025, após recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).
A endometriose é uma doença inflamatória crônica que afeta cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva no mundo, o que corresponde a mais de 190 milhões de pessoas. No Brasil, milhares de pacientes são atendidos pelo SUS, que vem registrando um crescimento significativo nos números de consultas, atendimentos especializados e internações relacionadas à doença.
A condição ocorre quando o tecido semelhante ao endométrio que reveste o útero internamente cresce fora da cavidade uterina, podendo se instalar nos ovários, trompas, intestinos, bexiga e até mesmo em órgãos mais distantes, como os pulmões.
Esse tecido “extraviado” responde ao ciclo menstrual, engrossando, sangrando e inflamando, mas não tem como ser eliminado, o que causa dor intensa, inflamação crônica e, em muitos casos, pode levar à infertilidade.
Entre os principais sintomas estão:
- Cólicas menstruais severas;
- Dor abdominal fora do período menstrual;
- Dor nas relações sexuais;
- Sintomas urinários e intestinais.
Tratamento
O DIU-LNG é um dispositivo intrauterino que libera lentamente o hormônio levonorgestrel, atuando diretamente no local para suprimir o crescimento do tecido endometrial fora do útero. É especialmente indicado para mulheres que têm contraindicação ao uso de contraceptivos orais combinados (COCs). Uma das vantagens desse tratamento é a necessidade de troca apenas a cada cinco anos, o que contribui para a adesão ao tratamento e melhora a qualidade de vida das pacientes.
Já o desogestrel é um anticoncepcional hormonal que age principalmente inibindo a ovulação e bloqueando a atividade hormonal que estimula o crescimento do endométrio fora do útero. Esse medicamento pode ser prescrito já na primeira avaliação clínica, mesmo antes da confirmação do diagnóstico por exames de imagem.
Importante destacar que, embora ambos sejam contraceptivos, no SUS esses medicamentos serão disponibilizados exclusivamente para o tratamento da endometriose, não sendo indicados para prevenção da gravidez.
Atendimento pelo SUS
O Ministério da Saúde vem registrando crescimento nos atendimentos relacionados à endometriose na rede pública. Entre 2022 e 2024, houve aumento de 30% nos atendimentos na Atenção Primária, passando de cerca de 115 mil para quase 145 mil consultas. Na Atenção Especializada, o crescimento foi ainda maior: 70%, passando de aproximadamente 32 mil para quase 54 mil atendimentos no mesmo período. As internações pela doença também aumentaram 32%, chegando a quase 20 mil em 2024.
A incorporação do DIU-LNG e do desogestrel representa um avanço importante no tratamento da endometriose, oferecendo mais opções para as pacientes e ampliando o acesso a tratamentos eficazes e de longo prazo.
Além disso, para que as tecnologias estejam disponíveis, o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da endometriose será atualizado, garantindo que profissionais da saúde estejam alinhados às melhores práticas de atendimento.
Tratamentos cirúrgicos da endometriose
A cirurgia é indicada quando os tratamentos hormonais não são suficientes. As principais opções são:
- Videolaparoscopia: técnica minimamente invasiva usada para remover focos da doença e, em muitos casos, confirmar o diagnóstico. Possui recuperação mais rápida.
- Laparotomia: cirurgia aberta, indicada para casos mais complexos, com maior comprometimento dos órgãos.
- Histerectomia: remoção do útero, recomendada apenas em casos graves e após avaliação cuidadosa, especialmente quando há falha em outros tratamentos.


