A Britânia Eletrodomésticos, dona da marca Philco, demitiu 860 trabalhadores da fábrica localizada no Polo Industrial de Manaus (PIM), onde são produzidos fornos de micro-ondas, televisores e aparelhos de ar-condicionado. Segundo a empresa, a medida faz parte de uma reestruturação pontual motivada pela revisão nas projeções de vendas para 2025.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas, Valdemir Santana, a entidade atuou para garantir que os direitos dos trabalhadores fossem respeitados ao longo do processo. Ele ressaltou que as demissões correspondem a cerca de 30% do quadro de colaboradores da unidade.
Segundo o sindicalista, a empresa firmou um acordo que prevê assistência médica até agosto, além da entrega de cestas básicas e a prioridade de recontratação para os trabalhadores desligados.
“A empresa já fez o acordo, com garantia de assistência médica, cestas básicas de alimentação, e garantiu que qualquer recontratação feita até o término do aviso prévio deverá priorizar esses funcionários. Além disso, muitos já estão sendo encaminhados para outras fábricas”, afirmou.
Benefícios garantidos aos trabalhadores desligados, segundo o sindicato:
- Salário adicional: apoio financeiro às famílias;
- Assistência médica estendida: até o final de agosto;
- Prioridade de recontratação: em caso de novas vagas;
- Cestas básicas: três para quem tem até dois anos de contrato e quatro para os que têm mais de dois anos.
Em vídeo publicado no Instagram, o presidente do sindicato explicou que a empresa comunicou previamente os trabalhadores sobre a demissão em massa de 860 pessoas e que a medida foi discutida com a direção da Philco, que também notificou o sindicato, conforme exigido por lei quando o número de demitidos ultrapassa 100.
O presidente destacou ainda que o acordo firmado vai além da convenção coletiva da categoria e que o processo segue em negociação coletiva.
“Se houver novas contratações, a prioridade será dessas pessoas que foram desligadas agora. Inclusive, as empresas já estão chamando muitos desses trabalhadores para atuarem nos setores de ar-condicionado, TVs e micro-ondas”, acrescentou.
Santana confirmou que 180 pessoas foram realocadas nesta quarta-feira (16/07), com nova rodada de homologação prevista para sexta-feira (18/07). Ele finalizou dizendo esperar que a empresa reduza o número total de desligamentos: “Demitir é ruim, mas é uma posição da empresa. Nosso papel é evitar o desemprego”, concluiu.
Resposta da Philco
Em nota oficial ao Diário da Capital, a Philco ressaltou que a decisão se restringe à planta de Manaus e não afeta outras unidades do grupo. Além dos direitos trabalhistas legais, informou que todos os desligados terão plano de saúde mantido até o fim de agosto ou até o encerramento do aviso prévio. Também serão distribuídas cestas básicas, conforme o tempo de contrato de cada colaborador.
A empresa destacou ainda seu compromisso com a valorização dos colaboradores e a sustentabilidade de suas operações, buscando preservar a excelência de seus produtos e o bem-estar das equipes em todo o país.
Confira a nota na íntegra:
Impacto na Zona Franca de Manaus
As demissões em massa anunciadas pela Philco em sua fábrica de Manaus geram reflexos significativos para a Zona Franca de Manaus (ZFM), especialmente no setor eletroeletrônico, um dos pilares do Polo Industrial da capital amazonense.
Com 860 trabalhadores desligados, o impacto atinge diretamente o mercado de trabalho local, reduz a circulação de renda e acende um sinal de alerta sobre a estabilidade da produção no polo.
A justificativa da empresa, baseada na readequação das projeções de vendas para 2025, evidencia a vulnerabilidade da indústria frente às oscilações de mercado. O episódio também reforça a urgência de políticas públicas voltadas à diversificação econômica, incentivo à permanência de empresas e programas eficazes de recolocação profissional para mitigar os efeitos sociais dessas mudanças no perfil industrial da região.
