A seca provocada pelo último episódio de El Niño atingiu 38% das áreas habitadas da Amazônia, segundo levantamento do MapBiomas. O estudo analisou 5.673 localidades da região e identificou impactos considerados intensos em 2.172 delas.
Entre setembro e novembro de 2024, período de forte influência do fenômeno climático, a Amazônia registrou 27% menos chuvas do que a média histórica. Ao mesmo tempo, as temperaturas máximas ficaram, em média, 2,6°C acima do esperado.
A estiagem também provocou uma redução significativa na quantidade de água disponível. De acordo com o levantamento, cerca de 1,9 milhão de hectares de superfície de água foram perdidos durante o período analisado.
Os efeitos da seca vão além da redução dos níveis dos rios. Comunidades que dependem dos cursos d’água podem enfrentar dificuldades no transporte, abastecimento, pesca e deslocamento, principalmente em áreas mais isoladas da região amazônica.
O cenário chama ainda mais atenção diante das previsões para um possível novo El Niño de forte intensidade. O levantamento aponta que 93% das localidades analisadas estão localizadas a até cinco quilômetros de áreas que registraram redução da superfície de água.
Além dos efeitos climáticos recentes, o estudo também alerta para mudanças ambientais de longo prazo. Nos últimos 41 anos, a Amazônia perdeu aproximadamente 3,9 milhões de hectares de vegetação nativa, o equivalente a 14% da cobertura existente no início do período analisado.
