A redução no valor da passagem de ônibus em Manaus, anunciada pelo prefeito David Almeida (Avante), entrou no centro de uma nova disputa política. O vereador Rodrigo Guedes (Progressistas) usou as redes sociais para contestar a narrativa oficial da Prefeitura e acusar o chefe do Executivo municipal de tentar capitalizar eleitoralmente com o anúncio.
A tarifa, que a partir do dia 1º de março cairá de R$ 6 para R$ 5, segundo o parlamentar, não teria sido reduzida de forma espontânea nem motivada por sensibilidade social.
Na publicação, Guedes sustenta que a diminuição estaria ligada à baixa adesão ao valor anterior e, principalmente, a decisões judiciais que restabeleceram a possibilidade de pagamento em dinheiro no transporte coletivo. De acordo com o vereador, a proibição do pagamento em espécie, implementada com apoio do Sinetram e da Prefeitura, teria como objetivo pressionar empresas a adquirir vales-transportes mais caros, elevando custos trabalhistas e, indiretamente, os preços ao consumidor.
Ainda segundo o parlamentar, após decisões judiciais que reautorizaram o pagamento em dinheiro, empregadores teriam optado por repassar diretamente aos trabalhadores o valor menor, reduzindo a compra de créditos tarifários mais caros. Nesse cenário, afirma Guedes, a redução anunciada pelo prefeito seria consequência econômica inevitável — e não uma decisão política estratégica voltada ao interesse público.
“Qual patrão, empreendedor ou trabalhador que, podendo gastar menos, vai gastar mais?! Até porque as convenções coletivas autorizam o pagamento em dinheiro da passagem”, escreveu o vereador.
Empresários também criticaram os últimos reajustes da tarifa de ônibus, afirmando que precisavam pagar o valor integral aos funcionários.
“Antes era R$ 4 e foi para R$ 6; as pessoas que pagavam em dinheiro pagavam R$ 5, e as empresas pagavam R$ 6. Ficou muito pesado”, disse Ralph Assayag, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), ao comentar a equiparação entre os valores pagos.
O episódio reforça o ambiente de tensão crescente entre o Legislativo municipal e a gestão David Almeida, já marcado por críticas relacionadas a promessas, alianças políticas e à condução de políticas públicas.
