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Rodoviários anunciam nova greve esta semana; Givancir Oliveira nega motivação política

Sindicato afirma que, caso salários e benefícios não sejam pagos até esta quinta-feira (6/8), apenas 30% da frota de ônibus deverá permanecer em circulação em Manaus

Escrito por Micaele Souza
5 de agosto de 2026
Possível greve pode reduzir drasticamente a frota de ônibus em circulação na capital - Hercules Xavier/ DC

Quando Manaus ainda tenta superar os impactos da última paralisação do transporte coletivo, a possibilidade de uma nova greve volta a preocupar milhares de passageiros. O alerta foi feito nesta quarta-feira (5/8) pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Manaus, Givancir Oliveira, que condicionou a manutenção das atividades ao pagamento dos salários e benefícios da categoria.

Na coletiva, Givancir disse que os trabalhadores aguardam até esta quinta-feira (6/8) o depósito dos salários, da cesta básica e do ticket alimentação. Caso os pagamentos não sejam efetuados, a categoria poderá cruzar os braços, mantendo apenas o que prevê a legislação para serviços essenciais que, neste caso, indica 70% em horário de pico e 50% nos demais horários.

Givancir também disse não saber quem é o responsável pelo atraso nos pagamentos e disse que a categoria não pretende entrar na disputa entre empresas e poder público.

“Quem pagou ou deixou de pagar eu não sei, porque não tenho os números. Não posso afirmar se alguém está falando a verdade ou mentindo. O fato é que, até agora, as empresas não têm previsão de pagar os trabalhadores. A categoria está indignada e, se esse problema não for solucionado, vai cruzar os braços”, declarou.

Motivação política?

A coincidência entre a mobilização da categoria e o período eleitoral tem gerado questionamentos sobre uma eventual influência política no movimento. Além de presidir o Sindicato dos Rodoviários, Givancir Oliveira também é candidato a deputado estadual pelo Avante, partido liderado pelo ex-prefeito David Almeida.

Questionado pela reportagem sobre essa possibilidade, Givancir negou qualquer motivação eleitoral e afirmou que a mobilização ocorre exclusivamente em razão da falta de pagamento dos trabalhadores.

Segundo o sindicato, a paralisação poderá atingir não apenas motoristas e cobradores, mas também profissionais da manutenção, mecânica, limpeza e do setor administrativo. A estimativa é de que cerca de 70% dos trabalhadores possam aderir ao movimento.

A ameaça de uma nova greve acontece poucas semanas após a paralisação registrada em julho, que afetou milhares de usuários do transporte coletivo e provocou longas filas em diversos pontos da cidade.

Na ocasião, o Governo do Amazonas anunciou o repasse de R$ 18 milhões ao Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram). Segundo o vice-governador Serafim Corrêa, o depósito cumpria uma decisão judicial relacionada ao custeio da meia-passagem estudantil e buscava contribuir para a normalização do serviço.

Apesar do repasse, o sindicato afirma que os problemas persistem e que, até o momento, não há confirmação do pagamento dos salários e benefícios previstos para esta semana. A decisão sobre uma nova paralisação dependerá da regularização desses valores até o prazo estabelecido.

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