Saúde

Quase metade das famílias brasileiras recusa doação de órgãos, aponta levantamento

Falta de informação, dificuldade em compreender a morte encefálica e falhas na abordagem hospitalar estão entre os fatores que dificultam a autorização

Escrito por Redação
8 de setembro de 2026
Recusa familiar ainda impede milhares de potenciais doadores de efetivarem a doação de órgãos no Brasil - Foto: Ministério da Saúde

A recusa das famílias ainda é um dos principais obstáculos para a doação de órgãos no Brasil. Dados do Registro Brasileiro de Transplantes mostram que 45% dos familiares entrevistados em 2025 não autorizaram o procedimento. Dos 15.940 potenciais doadores registrados no período, 4.335 se tornaram doadores efetivos.

Entre os motivos que dificultam a autorização estão a falta de compreensão ou aceitação do diagnóstico de morte encefálica, crenças religiosas, medo de alterações no corpo, desconfiança sobre o processo e desconhecimento da vontade manifestada em vida pelo potencial doador. A forma como os profissionais de saúde conversam com a família também pode influenciar a decisão.

Segundo a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB), falhas no acolhimento e abordagens excessivamente técnicas ou pouco humanizadas podem aumentar a resistência das famílias. Para tentar mudar esse cenário, a entidade, em parceria com o Ministério da Saúde, capacitou 2.534 profissionais entre setembro de 2025 e agosto deste ano.

Os treinamentos incluem desde a identificação de potenciais doadores e a determinação da morte encefálica até a comunicação em situações críticas. Até agosto, foram realizados 73 cursos em 25 estados, envolvendo médicos, enfermeiros, psicólogos, assistentes sociais e outros profissionais.

Apesar da alta recusa familiar, o número de doadores efetivos apresentou avanço no país. Em 2025, o Brasil chegou a 20,3 doadores por milhão de habitantes, ante 19,2 registrados no ano anterior.

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