A expedição do biólogo e youtuber Richard Rasmussen pela Transamazônica terminou com a apreensão do veículo utilizado na jornada. Na noite de sábado (21), agentes da Polícia Rodoviária Federal (PRF) recolheram o quadriciclo conduzido por ele na BR-319, no município de Careiro da Várzea, a 23 quilômetros de Manaus.
Segundo a PRF, o veículo não é autorizado a trafegar em rodovias federais, o que motivou a retirada de circulação. A abordagem foi registrada pelo próprio Rasmussen, que transmitiu o momento nas redes sociais.
Durante a transmissão, o biólogo afirmou que os policiais atuaram dentro da legalidade, mas questionou o que classificou como falta de rigor em outras situações presenciadas ao longo do trajeto.
“É um tipo de coisa que a gente vê como trabalho parcial. Eu sei que vocês estão cumprindo o que tem que fazer, mas se você vem do Castanho e sabe que é uma rodovia não tem uma pessoa com capacete”, disse o biólogo ao vivo.
O quadriciclo havia sido utilizado na chamada Expedição Transamazônica, iniciativa que percorreu trechos da BR-230 e da BR-319 e contou com a participação de criadores de conteúdo digital como Renato Cariane e Júlio Balestrin.
A saga pela Transamazônica
Antes da apreensão, Rasmussen encarou sete dias de percurso pela BR-230, a Transamazônica, em um trajeto de aproximadamente 1.500 quilômetros ligando Manaus ao restante do país. A proposta era atravessar um dos trechos mais emblemáticos — e desafiadores — da malha viária brasileira a bordo de um veículo off-road.
Conhecido por expedições em áreas remotas e por conteúdos que misturam ciência, preservação ambiental e aventura, o biólogo transformou a travessia em uma cobertura diária nas redes sociais, com transmissões ao vivo mostrando atoleiros, trechos alagados e as dificuldades enfrentadas por moradores da região.
Durante a jornada, ele deixou claro que o objetivo ia além da adrenalina.

Biólogo foi recebido com festa em Manaus (Foto: Reprodução Instagram)
“Uma das minhas missões com essa viagem é dar visibilidade para os problemas dessa estrada. É muito importante a gente discutir as soluções pra isso.”
Inaugurada na década de 1970 com a promessa de integrar a Amazônia ao restante do país, a Transamazônica ainda enfrenta problemas estruturais históricos, especialmente no período chuvoso, quando longos trechos se tornam praticamente intransitáveis.

Ao longo dos 1.500 quilômetros percorridos, Rasmussen mostrou em tempo real a realidade enfrentada por quem depende da rodovia para transporte de mercadorias, acesso a serviços básicos e deslocamento entre municípios.
A apreensão do quadriciclo, já na BR-319, encerrou a etapa final da expedição e trouxe um novo capítulo à narrativa: o debate sobre fiscalização, segurança viária e as condições das estradas federais na Amazônia.