A Polícia Federal deflagrou, nesta quarta-feira (16/9), a Operação Dinastia do Lago para investigar a possível atuação de uma organização criminosa em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à administração municipal de Coari. Por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), são cumpridos 29 mandados de busca e apreensão em Manaus e Coari, além de medidas cautelares e afastamentos de servidores. Informações preliminares apontam que o prefeito Adail Pinheiro está entre os afastados.
Segundo a PF, a investigação começou após a apreensão de aproximadamente R$ 1,25 milhão em espécie, transportados por três empresários em um voo entre Manaus e Brasília, em maio de 2025. A partir do caso, os investigadores identificaram indícios de uma possível atuação coordenada entre empresários, agentes públicos e terceiros, envolvendo direcionamento de licitações, desvio de recursos e movimentações financeiras que teriam sido utilizadas para pagamento de vantagens indevidas e ocultação da origem e do destino dos valores.
A PF informa que os fatos apurados podem configurar, em tese, os crimes de organização criminosa, fraude à licitação, corrupção, peculato e lavagem de dinheiro.
A operação também chama atenção pelo peso político de Adail em Coari e por sua relação pública com o senador e candidato ao Governo do Amazonas Omar Aziz (PSD). Em março de 2025, Adail declarou apoio à candidatura de Omar e afirmou publicamente que o senador havia contribuído para sua eleição à Prefeitura de Coari em 2024. A aproximação continuou em 2026: em março, Omar participou, ao lado de Adail, do senador Eduardo Braga e do deputado federal Adail Filho, de uma agenda de entregas e anúncio de investimentos no município.
A operação ocorre em meio à campanha eleitoral e deve provocar repercussões políticas em Coari, onde Adail exerce forte influência e integra o grupo que declarou apoio a Omar na disputa estadual. As diligências seguem em andamento, e novos detalhes sobre os alvos, bens apreendidos, afastamentos e contratos investigados ainda podem ser divulgados pela Polícia Federal e pelo Judiciário ao longo do dia.
