Na semana do “esquenta” para o Natal, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), resolveu antecipar o clima da disputa de 2026 e preparar a anunciada “pernada política” no agora ex-aliado, o senador Omar Aziz (PSD). Ambos miram o mesmo objetivo: a cadeira de governador do Estado do Amazonas.
Os dois, inclusive, já ocuparam o posto — ainda que em contextos distintos. David foi governador “tampão” e Omar exerceu mandato eletivo. Caminharam juntos na reeleição do prefeito de Manaus, quando o senador foi um dos principais fiadores políticos da campanha. Agora, porém, o alinhamento dá sinais claros de esgotamento.
O pano de fundo do rompimento é o xadrez de poder que se desenha para 2026. David Almeida avalia um cenário em que pode chegar à disputa com duas máquinas políticas orbitando seu entorno: o Governo do Estado, que pode ser assumido pelo vice-governador Tadeu de Souza (Avante) caso Wilson Lima (UB) decida concorrer ao Senado; e a Prefeitura de Manaus, que permaneceria sob controle do Avante, com Renato Júnior, caso o atual prefeito deixe o cargo.
Se essa configuração se concretizar, como planeja o prefeito, trata-se de um alinhamento raro — um verdadeiro “evento cósmico” na política amazonense. Diante dessa possibilidade, David decidiu colocar as “asinhas de fora”.
No mais recente capítulo do embate público, nesta sexta-feira (19), o prefeito negou acusações de traição política ao admitir a possibilidade de não apoiar Omar Aziz na disputa pelo Governo do Amazonas em 2026.
Em entrevista à TV Norte Amazonas, David foi questionado diretamente sobre os bastidores que apontam para um rompimento definitivo. Em tom defensivo, afirmou não se considerar em débito político com o senador.
“Olha, eu não posso cobrar de você o que você não fez por mim. Então não se pode cobrar de alguém aquilo que não se fez por ele. Eu estou muito focado na administração da prefeitura, em entregar resultados para a cidade de Manaus. Não estou trabalhando a questão política e estou muito tranquilo com relação a isso”, declarou.
Ao detalhar a relação entre os dois, o prefeito fez um balanço público de episódios passados para justificar sua posição. Segundo ele, houve reciprocidade em momentos recentes, mas também negativas em episódios decisivos.
“Eu apoiei o senador Omar Aziz em 2022, dei meu apoio para ele se eleger senador. Em 2024, ele emprestou o partido dele para eu fazer campanha, normal, um a um. Só que, em 2017, eu era do partido do senador Omar Aziz, era governador do Estado, do partido dele, e ele me negou o partido. Então está dois a um. Se tem alguém que está em falta, não sou eu”, afirmou.
As declarações se somam a uma semana marcada por trocas públicas de farpas entre os dois líderes políticos. Na última quarta-feira (17), David já havia causado repercussão ao afirmar, em entrevista à Rádio BandNews Amazônia, que decidiu “puxar o freio de mão” e reavaliar apoios antecipados, cravando que “o jogo está aberto” para 2026.
Resposta

Senador Omar Aziz (PSD) não deixou barato e respondeu no mesmo dia as declarações de David (Foto: Tadeu Rocha/Divulgação)
A fala foi interpretada como um recuo direto do apoio prometido a Omar Aziz e provocou reação imediata. No mesmo dia, o senador respondeu em entrevista ao Programa 18 Horas, da Rádio Mix, afirmando ser um “homem de palavra”, criticando o uso político da religião — tema frequentemente associado ao discurso de David — e garantindo que seguirá candidato ao Governo do Amazonas “em qualquer circunstância”.
Questionado novamente sobre seus próprios planos eleitorais, nesta sexta-feira, David Almeida evitou antecipar movimentos e insistiu no discurso de foco administrativo.
“Eu estou muito tranquilo, focado na administração da Prefeitura de Manaus. Quero focar em resultados, em entregas. Não estou preocupado com campanha, não reuni com ninguém, não busquei aliados. Quem está preocupado com a eleição está fazendo campanha. Eu estou preocupado em administrar a Prefeitura de Manaus, e assim vai continuar”, concluiu.
Na semana que antecede o Natal, o prefeito já deixou claro qual “presente” pretende entregar ao aliado de outrora. O tabuleiro está montado — agora, resta aguardar os próximos lances dessa disputa que promete esquentar ainda mais em 2026.



