Justiça

MPF pede à Justiça isenção de IPTU para terreiros de religiões de matriz africana em Manaus

Ação civil pública busca garantir imunidade tributária sem exigir CNPJ ou constituição formal das comunidades religiosas

Escrito por Redação
19 de julho de 2026
Foto: MPF quer garantir que terreiros tenham acesso à imunidade do IPTU sem exigência de CNPJ - Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal (MPF) ajuizou uma ação civil pública para assegurar que templos de religiões de matriz africana em Manaus tenham acesso à imunidade do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) sem a obrigatoriedade de possuir Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) ou constituição formal como associação. Segundo o órgão, a exigência imposta pelo município dificulta o exercício da liberdade religiosa e pode configurar discriminação institucional.

De acordo com o MPF, embora a Constituição Federal garanta imunidade tributária aos templos de qualquer culto, os terreiros enfrentam barreiras para obter o benefício. Atualmente, a Prefeitura de Manaus exige documentos como estatuto social e CNPJ para reconhecer a imunidade, requisitos que, segundo a ação, não refletem a realidade de muitas comunidades tradicionais de matriz africana.

A Procuradoria argumenta que diversos terreiros funcionam de forma comunitária, preservando práticas ancestrais e sem estrutura jurídica formal. Para o MPF, essa exigência acaba impedindo o acesso a um direito constitucional e representa uma forma de racismo religioso institucional. O órgão destaca ainda que, até o momento, nenhum terreiro de Manaus conseguiu obter a imunidade do IPTU nas condições atualmente estabelecidas.

Na ação, o MPF pede que a Justiça determine ao município a adoção de critérios compatíveis com a legislação e com a proteção constitucional à liberdade de crença, permitindo que os terreiros comprovem sua natureza religiosa sem a necessidade de formalização jurídica. A Prefeitura de Manaus ainda deverá se manifestar no processo.

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