Política

MP-AM investiga suspeita de nepotismo na gestão municipal e abre procedimento preparatório

Denúncia envolve possíveis contratações de familiares de autoridade política; prática é vedada por súmula do STF

Escrito por Rosianne Couto
28 de abril de 2026
Ministério Público apura possível nepotismo em secretarias da gestão municipal, como a Semjel - Foto: Divulgação

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MP-AM) instaurou procedimento preparatório para apurar suspeitas de nepotismo na administração municipal de Manaus. A medida foi adotada após denúncia que aponta a possível nomeação de familiares do ex-prefeito David Almeida em cargos dentro de secretarias, especialmente na Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel). A Portaria está publicada no Diário Oficial do órgão, datado de 27 de abril deste ano.

O procedimento preparatório é uma fase inicial de investigação, utilizada pelo MP para reunir informações, documentos e indícios antes de decidir pela abertura de um inquérito civil. Na prática, funciona como um filtro técnico: se confirmadas irregularidades, o caso pode evoluir para medidas judiciais ou extrajudiciais, como ações civis públicas.

O nepotismo, por sua vez, é caracterizado pela nomeação de parentes para cargos públicos com base em vínculos familiares, e não em critérios técnicos ou meritocráticos. A prática é proibida no Brasil pela Súmula Vinculante nº 13 do Supremo Tribunal Federal (STF), que veda a contratação de cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau para cargos de confiança na administração pública.

No caso em análise, o MP requisitou à Semjel a apresentação, em até dez dias, de documentos detalhados sobre os servidores citados na denúncia, incluindo vínculos, funções e fichas financeiras. Entre os nomes mencionados, estão pessoas com possíveis ligações familiares diretas com o ex-chefe do Executivo municipal, o que acende o alerta para eventual violação dos princípios da moralidade e da impessoalidade administrativa.

A abertura da investigação lança mais um questionamento sobre os critérios adotados pela atual gestão. Em um cenário que exige transparência e responsabilidade no uso da máquina pública, suspeitas de favorecimento familiar reforçam a percepção de fragilidade institucional e colocam em xeque o compromisso com a legalidade.

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