Política

“Manaus precisa de respeito, e não de autoritarismo”: vereadores discutem ação violenta de fiscais no Centro

Na Câmara Municipal de Manaus (CMM), nesta terça-feira (5/8), vereadores debateram a ação de fiscais da Prefeitura que resultou em confusão e violência contra uma vendedora ambulante no Centro da cidade

Escrito por Kataryne Dias
5 de agosto de 2025
Foto: Reprodução/Internet

Durante a 61ª sessão ordinária da Câmara Municipal de Manaus (CMM), realizada nesta terça-feira (5/8), vereadores se manifestaram sobre a ação de agentes da Prefeitura de Manaus que terminou em confusão e violência contra uma vendedora ambulante no Centro da cidade. 

O caso ocorreu na manhã de segunda-feira (4/8), quando fiscais da Secretaria Municipal de Agricultura, Abastecimento, Centro e Comércio Informal (Semacc) apreenderam mercadorias de uma comerciante que vendia abacaxis na região.

Imagens que circulam nas redes sociais mostram os servidores utilizando força física durante a apreensão. A vendedora, sozinha, tenta impedir a ação, colocando-se em frente ao carrinho de frutas e gritando por direitos. Em um dos momentos registrados, a mercadoria é jogada no chão. Pelo menos sete fiscais, todos uniformizados com coletes da Semacc, participaram da operação.

Críticas à gestão 

O vereador Zé Ricardo (PT) criticou duramente a atuação dos servidores municipais e a gestão do prefeito David Almeida (Avante), afirmando que a Prefeitura de Manaus tem demonstrado descaso com a população. Segundo ele, a ação truculenta contra a vendedora ambulante evidencia a forma como a administração trata os mais vulneráveis, sendo um retrato da violência institucionalizada. 

O parlamentar também comparou a abordagem à maneira como o coronel Teixeira lidava com os problemas da cidade no passado e cobrou posicionamento da base governista, destacando que, na hora de votar, muitos se calam, mas é preciso falar dos problemas da cidade.

“A Prefeitura de Manaus precisa de uma política mais ampla, eficaz e com ações realmente estruturadas. O que vimos foi, mais uma vez, uma mulher sendo cercada por vários homens, o que retrata a forma violenta e desigual com que a gestão trata as mulheres, especialmente as mais vulneráveis. Solicito a aprovação deste requerimento. A base do prefeito não participa do debate, mas, na hora de rejeitar, está sempre presente. Está na hora de falarmos dos problemas reais da cidade”, afirmou.

Já o vereador Raiff Matos (PL) afirmou que o que se viu no Centro de Manaus foi a truculência personificada e que a população não merece ser tratada dessa forma. Ele destacou que muitos trabalhadores informais vivem sem qualquer planejamento financeiro fixo, vendendo diariamente para garantir o próprio sustento, muitas vezes comprando produtos fiado para revender e garantir o pão de cada dia.

“Violência contra trabalhadores não é gestão, é covardia. Espero que a Prefeitura de Manaus possa apontar caminhos para as famílias que ficaram sem seu sustento, sem o seu ganha-pão. É necessário que exista algum programa capaz de acolher essas pessoas e garantir que não lhes falte o básico. Manaus precisa de respeito, não de autoritarismo”, concluiu.

Defesa da ação

Parlamentares da base do prefeito saíram em defesa da ação. O vereador Elan Alencar (DC) afirmou que os servidores estavam apenas cumprindo seu trabalho. Destacou que o reordenamento do Centro é necessário, que a Prefeitura está fazendo a sua parte e que o Governo do Estado também precisa assumir sua responsabilidade.

“Isso também é responsabilidade do Governo do Estado. A Prefeitura de Manaus já iniciou o reordenamento do Centro, e os servidores estão apenas fazendo o trabalho deles. Não é fácil organizar aquela região. Vocês acham que é simples fazer o que eles estão fazendo? Não é. E quando se deparam com produtos vencidos, totalmente insalubres, quem vai responder?”, disse. 

Ele ressaltou que os fiscais enfrentam situações complexas no Centro de Manaus, incluindo a fiscalização de produtos vencidos ou comercializados de forma irregular. O parlamentar destacou a necessidade de ordem na região central da cidade e afirmou que um trabalho sério já está em andamento para promover esse reordenamento.

“Fica esse ‘morde e assopra’: uma hora criticam, outra hora aplaudem. Muitos dos que estão ali têm autorização para trabalhar, e os servidores estão agindo corretamente. Estamos aqui para apoiar, porque, se não for agora, quando o Centro será organizado? Nosso apoio é aos servidores que estão se dedicando a esse trabalho sério”, comentou. 

O parlamentar Gilmar Nascimento (Avante) também se manifestou sobre o tema, afirmando que este é um momento em que deveriam comemorar a ação da Prefeitura de Manaus e valorizar as políticas públicas já implementadas. Segundo ele, a cidade cresceu, mas o Centro foi tomado pela criminalidade devido à ausência de órgãos do passado, que acabou transformando o espaço em refúgio para desocupados, e é uma realidade que precisa ser reconhecida.

“Essa é uma ação que deveríamos comemorar. A ausência do Estado deixou o Centro nas mãos da criminalidade. A gestão do prefeito David Almeida está buscando soluções, enquanto a oposição apenas procura problemas”, finalizou.

Críticas à falta de diálogo e maturidade política

O vereador Rodrigo de Sá (PP) questionou de que forma um parlamentar de Manaus pode contribuir com a cidade se a Prefeitura não atende aos pedidos feitos pelos vereadores. Ele reconheceu que a Prefeitura está realizando um trabalho, mas alertou que não se pode aceitar como normal a forma como os fatos ocorreram.

“Eu até estranhei as falas aqui, que atacaram o Governo do Estado e o Governo Federal, sendo que a situação está sendo tratada aqui na cidade, no Centro de Manaus. Será que a Prefeitura tem maturidade para dialogar? O Estado tem 61 municípios para cuidar, mas isso não justifica a falta de parceria”, questionou o parlamentar. 

Rodrigo de Sá afirmou que, apesar da dificuldade da gestão pública, não se pode permitir que servidores atuem de forma truculenta. Ele ressaltou que a ação parece ter sido iniciada recentemente, e não há um histórico de trabalho prolongado.

“Não podemos justificar a ação de ontem dizendo que a culpa é do Governo do Estado ou Federal. Gestão pública é difícil, mas não se pode permitir que colaboradores ajam daquela forma. Parece que a Prefeitura iniciou o trabalho ontem, quando deveria haver um planejamento contínuo. O prefeito e o vice precisam agir com responsabilidade”, disse. 

Rodrigo finalizou pedindo que a Prefeitura dê esclarecimentos e que haja mais disposição para o diálogo político, com menos disputas e mais colaboração.

“Tapar o sol com a peneira e achar que o que aconteceu ontem é normal, não é! A Prefeitura precisa dar esclarecimentos. Queremos contribuir, mas não temos respostas. Eu estranhei as falas que atacaram o Governo, estamos falando dos fatos. Se a Prefeitura quer ajuda do Governo do Estado, será que tem maturidade política para sentar e conversar? Será que é possível deixar o ego e a disputa política de lado para buscar soluções? Porque, quando queremos ajuda do maior, não batemos na porta do menor, pedimos ajuda”, concluiu. 

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