A cantora Ludmilla, conhecida por suas canções de funk e pop, ajuizou uma ação na Justiça contra o vereador Coronel Rosses (PL), de Manaus. A artista pede retratação pública e indenização por danos morais no valor de R$ 70 mil, após acusações feitas pelo parlamentar em outubro de 2025, quando ele afirmou que a cantora teria praticado “aliciamento de crianças” durante apresentação no festival Sou Manaus Passo a Paço 2025.
Na ação, a defesa de Ludmilla sustenta que as declarações feitas publicamente por Rosses extrapolam os limites da crítica legítima e violam a honra, a imagem e a dignidade da artista.
Procurado pela reportagem, o vereador informou, por meio de nota, que sua postura é uma resposta ao que considera uma afronta à moralidade pública.
Segundo o parlamentar, “apresentações financiadas com dinheiro do contribuinte que contenham teor sexual explícito não apenas violam os valores da família, mas são responsáveis por uma grave degradação da infância e da juventude, que acaba sendo exposta a um tipo de entretenimento mórbido”.
Conhecido por posições conservadoras, Rosses também utilizou as redes sociais para reforçar seu posicionamento.
“É hoje! Eu fui processado pela cantora Ludmilla, a funkeira lá do Rio de Janeiro, que ninguém sabe quanto ela ganhou do nosso dinheiro pra cantar no Sou Manaus, quer de mim R$ 70 mil de indenização. Ela me processou porque eu disse que ela veio a Manaus para aliciar crianças com sua música”, afirmou.
Para o vereador, a cantora teria descumprido a Lei nº 593/2025, que proíbe que shows pagos com verba pública municipal promovam violência e sexualização.
“Vou pedir na Justiça para que você devolva o dinheiro que ganhou da Prefeitura de Manaus. Você não vai me calar”, concluiu o parlamentar.
O caso tramita na Justiça e reacende o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a responsabilização por declarações públicas que imputem crimes sem comprovação. De um lado, a cantora sustenta ter sido alvo de acusações falsas e ofensivas; de outro, o vereador mantém o discurso e afirma que não irá se retratar, cabendo ao Judiciário a análise do mérito da ação.




