A Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) exonerou Kamila Fernanda Alves de Almeida, servidora lotada no gabinete do deputado estadual Daniel Almeida (Avante), acusada de participar de esquema de sequestro e coação contra Tainara Soares, vítima do tenente da Polícia Militar Osvaldo Lima da Silva, conhecido como “Grilo”. Daniel é irmão do ex-prefeito de Manaus e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida (Avante).
O pedido de afastamento foi feito por telefone no domingo (26/4) e formalizado por memorando nesta segunda-feira (27/4).
A confirmação foi dada pela deputada estadual Alessandra Campelo (PSD), presidente da Procuradoria da Mulher da Aleam, em coletiva de imprensa. Segundo ela, Kamila e comparsas teriam usado falsa identidade, apresentando-se como servidores da Procuradoria da Mulher e da própria Assembleia para intimidar a vítima.
“A atuação dela foi criminosa. Eles foram denunciados também por usar identidade falsa, se identificando como servidores desta Casa e da Procuradoria para cometer abusos“, afirmou Campelo.
Entenda o caso
O tenente Osvaldo Lima da Silva está preso desde a última semana, acusado de estuprar uma jovem de 25 anos durante uma abordagem em barreira policial na Avenida Torquato Tapajós. O exame de corpo de delito do Instituto Médico Legal (IML) confirmou o crime.
A investigação aponta que a rede de proteção ao policial se estendia ao Poder Legislativo. Kamila Fernanda é apontada como uma das figuras centrais na tentativa de silenciar a vítima. A Procuradoria da Mulher da Aleam informou que não tolerará o uso da estrutura do Estado para acobertar crimes ou perseguir mulheres.
O Comando Geral da Polícia Militar do Amazonas já recolheu as armas do tenente, que segue preso e isolado. Um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) está em curso e pode resultar na expulsão do militar da corporação.
O tenente Grilo já havia sido denunciado em 2016 por estupro de vulnerável contra uma criança de 8 anos. Mesmo com esse histórico, permaneceu na PMAM e chegou a cargos de comando.
Após a prisão, novas denúncias contra o oficial surgiram. Ele teria exigido R$ 400 para liberar uma motocicleta e, no mesmo episódio, assediado e intimidado a irmã do condutor, uma adolescente de 16 anos.
