O episódio que colocou membros da alta cúpula do governo do Amazonas sob suspeita de tentar influenciar as eleições municipais de 2024 em Parintins chegou a um desfecho judicial. Após meses de investigação, a Justiça Eleitoral decidiu arquivar o inquérito.
O caso teve início em 16 de agosto de 2024, após a divulgação de um vídeo gravado em 2 de agosto na casa de Adriane Cidade, prima e ex-assessora do deputado estadual e presidente da Assembléia Legislativa do Amazonas (Aleam), Roberto Cidade (UB). Nas imagens, ex-secretários e agentes de segurança discutem práticas consideradas ilegais pela Justiça, com a intenção de favorecer um dos candidatos ao pleito.
Nesta segunda-feira (26/01), o juiz Otávio Augusto Ferraro, da Zona Eleitoral de Parintins, acatou o pedido de arquivamento feito pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que argumentou que a principal prova obtida pela Polícia Federal (PF) era ilícita e que não havia elementos lícitos suficientes para comprovar autoria ou materialidade dos crimes investigados.
Com o arquivamento, os investigados não enfrentarão ação penal relacionada ao caso. Entre eles estão:
- Armando Silva do Valle;
- Marcos Apolo Muniz de Araújo;
- Fabrício Rogério Cyrino Barbosa;
- Jackson Ribeiro dos Santos;
- Guilherme Navarro Barbosa Martins.
A decisão judicial também determinou a retirada do sigilo do processo, por não haver diligências pendentes nem circunstâncias que justificassem sua manutenção.
Sobre o caso
O vídeo que motivou a investigação mostrava uma reunião com ex-secretários do governo estadual e dois policiais militares. Segundo a PF, eles admitem práticas como compra de votos em eleições anteriores, monitoramento de viaturas da PF para cometer crimes e a intenção de levar pessoas ligadas a milícias e ao crime organizado para Parintins, em uma operação considerada “forjada”.
Durante as investigações, surgiram indícios de que líderes comunitários ligados a facções criminosas teriam ameaçado eleitores e dificultado a circulação de candidatos em determinadas áreas do município. À época, o Governo do Amazonas informou que os secretários citados foram exonerados para preservar a lisura das investigações e garantir que os envolvidos pudessem se defender de forma justa.
