O manejo sustentável do pirarucu tem impulsionado a geração de renda e fortalecido a conservação ambiental no território indígena Boca do Jurupari, localizado no Médio Solimões, no Amazonas. A iniciativa reúne 48 indígenas, entre homens e mulheres, que utilizam conhecimentos tradicionais e técnicas de manejo para garantir a atividade pesqueira sem comprometer a preservação da espécie.
O trabalho é desenvolvido principalmente no Lago Jurupari Grande, onde os moradores participam de todas as etapas da atividade, desde o planejamento e monitoramento dos estoques até a captura e comercialização do pescado. A organização comunitária também contribui para proteger os lagos contra a pesca irregular e fortalecer a vigilância do território.
Com apoio técnico do Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá, os indígenas adotam medidas como a contagem dos peixes, a definição de cotas e o acompanhamento das áreas de pesca. O modelo busca equilibrar a exploração econômica do pirarucu com a conservação dos recursos naturais, garantindo condições para a continuidade da atividade.
Os resultados refletem uma mudança significativa na produtividade. Há cerca de dez anos, os pescadores da comunidade levavam até duas semanas para capturar dez pirarucus. Atualmente, o grupo consegue atingir cotas de 260 a 300 exemplares em aproximadamente uma semana, resultado associado à organização coletiva e às práticas de manejo sustentável.
Além de ampliar as oportunidades de renda, a iniciativa fortalece a autonomia econômica e o protagonismo dos povos indígenas na conservação da Amazônia. A experiência da aldeia Jurupari demonstra como a valorização dos conhecimentos tradicionais, aliada ao planejamento e à proteção ambiental, pode contribuir para o desenvolvimento das comunidades e a preservação dos recursos pesqueiros.
