Vinte e uma certidões de óbito retificadas de pessoas mortas e desaparecidas políticas durante o período da ditadura militar (1964–1985) foram entregues pela Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), vinculada ao Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC).
A expectativa é que, até o final deste ano, mais de 400 certidões estejam aptas para entrega, em um processo que reconhece oficialmente a responsabilidade do Estado pelas mortes ocorridas no contexto da repressão política.
A solenidade de entrega ocorreu em Minas Gerais e reuniu familiares de vítimas, autoridades e representantes de entidades de direitos humanos. Embora 63 documentos estivessem prontos para entrega, apenas os familiares presentes puderam recebê-los. As demais certidões serão entregues em novas cerimônias previstas até dezembro.
A ministra dos Direitos Humanos e da Cidadania, Macaé Evaristo, destacou o caráter simbólico da ação. “Estamos aqui, um ano após a reabertura dos trabalhos da CEMDP, para dizer que a luta por memória, verdade e justiça vale a pena. Vale a pena reconstruir um país em um esforço coletivo de superar o ódio, a ignorância e o desprezo pela vida do outro”, afirmou.
Entre os nomes com certidões retificadas estão:
- Adriano Fonseca Filho;
- Carlos Alberto Soares de Freitas;
- Zuleika Angel Jones (Zuzu Angel);
- Oswaldo Orlando da Costa.
O novo registro reconhece oficialmente que as mortes ocorreram por causas violentas, associadas à repressão estatal, e não por motivos naturais, como antes constava em muitos dos documentos originais.
A secretária-executiva do MDHC, Janine Mello, reforçou que a retificação é mais que um ato administrativo: representa o reconhecimento da verdade histórica.
“Trata-se do reconhecimento de mortes causadas pelo Estado brasileiro no contexto da perseguição sistemática a dissidentes políticos do regime ditatorial instaurado em 1964”, declarou.
Sobre a ação
A ação cumpre a Resolução nº 601/2024 do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e integra uma agenda coordenada entre o MDHC, a CEMDP, a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), o CNJ e o Operador Nacional do Registro Civil. As atividades seguem até dezembro, com destaque para o II Encontro Nacional de Familiares de Pessoas Mortas e Desaparecidas Políticas, em Brasília.
Para a ministra Macaé Evaristo, esse processo representa um passo necessário para a democracia. “Assumir a responsabilidade com a dor dos familiares é um processo de cura social que só a agenda dos direitos humanos é capaz de promover”, concluiu.
