Quando o amor e a vontade de reescrever o futuro vão além do papel, vidas de crianças e adolescentes são transformadas por meio de um gesto muito especial: a adoção.
No abrigo Moacyr Alves, no bairro Alvorada, zona Centro-Oeste de Manaus, mais de 50 crianças e adolescentes esperam pela chance de encontrar um lar, acolhimento e começar uma nova história. Mas ainda existem muitos desafios, principalmente quando se trata da adoção de crianças com deficiência.
A assistente social do abrigo Moacyr Alves, Aglayr Peres, conta que só a adoção é capaz de transformar vidas.
“Não é alta a nossa estatística [de adoção], porque não é o perfil das pessoas adotarem uma criança com deficiência. A nossa média de adoção é uma por ano. Ano passado tivemos duas adoções, uma com paralisia cerebral e uma criança com TEA não verbal. Essa família conseguiu se adequar tão bem, que a criança já estava chamando o casal de ‘pai e mãe’. Hoje, ela já corre, já anda. A gente vê que o amor cura, o amor transforma”, destaca.
Enquanto aguardam por uma família, as crianças e adolescentes participam de atividades de lazer, estudam, recebem acompanhamento e vivem uma rotina de cuidado e convivência dentro do abrigo.
Adotar e acolher
Hoje, 25 de maio, é celebrado o Dia Nacional da Adoção, data que busca incentivar que mais crianças sejam adotadas em todo o país. Em Manaus, o Juizado da Infância e Juventude Cível desenvolve projetos voltados para ampliar as possibilidades de acolhimento.
Segundo a juíza titular do Juizado da Infância e Juventude Cível de Manaus, Rebeca Mendonça, projetos de incentivo à adoção são desenvolvidos em prol desta causa.
“O Juizado da Infância e Juventude Cível de Manaus desenvolve dois projetos voltados para a adoção. Um é o Acolhendo Vidas, que existe desde 2013, para atender a mulher que não deseja exercer a maternidade. Ela tem esse direito, desde que faça essa entrega do bebê para a Vara da Infância da cidade onde mora”, conta.
Dados do Juizado apontam que, atualmente, 51 crianças e adolescentes estão aptos à adoção na capital amazonense, enquanto 156 pretendentes estão habilitados no Sistema Nacional de Adoção (SNA). O principal desafio, no entanto, ainda é o chamado “descompasso de perfil”, como contou a juíza.
“O outro projeto se chama Encontrar Alguém. É um projeto de adoção tardia, de busca ativa, porque contempla crianças e adolescentes que são de difícil colocação em família substituta, seja por alguma deficiência, porque são grupos de irmãos ou adolescentes com idade avançada. Com o projeto, a gente divulga a história dessas crianças e adolescentes por meio de vídeos, imagens e fotografias em grupos de busca ativa”, destacou a juíza.
Mais do que mudar destinos, a adoção transforma vidas dos dois lados. Para quem espera por um lar, nasce a esperança de um novo começo. E para quem decide acolher, começa uma história construída com afeto, cuidado e amor.
