A Justiça do Amazonas concluiu o julgamento de um dos processos relacionados ao caso Djidja Cardoso e condenou sete pessoas por envolvimento em um esquema de tráfico de cetamina. Entre os sentenciados estão Cleusimar Cardoso Rodrigues e Ademar Farias Cardoso Neto, mãe e irmão da ex-sinhazinha do Boi Garantido, que receberam penas de 10 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado.
A morte de Djidja Cardoso marcou o início de uma investigação que revelou um esquema de tráfico de cetamina com ramificações além do círculo familiar da ex-sinhazinha.
A decisão foi assinada pela juíza Roseane do Vale Jacinto Cavalcante, titular da 3ª Vara Especializada em Crimes de Uso e Tráfico de Entorpecentes (Vecute). Na sentença, a magistrada afirma que o processo reuniu provas suficientes para demonstrar a atuação do grupo na comercialização e distribuição ilegal da substância.
Conforme a decisão, os condenados se valiam da estrutura da rede de salões Belle Femme e da seita “Pai, Mãe, Vida” para manter o funcionamento do esquema. A cetamina, medicamento destinado ao uso veterinário, era aplicada em pessoas durante encontros religiosos sob o argumento de proporcionar experiências espirituais.
A condenação foi proferida cerca de dez meses depois que uma decisão anterior acabou anulada. Na época, o Ministério Público apontou falhas processuais e pediu que o caso fosse novamente julgado pela primeira instância.
Operação revelou funcionamento do grupo
As investigações da Operação Mandrágora identificaram que a droga era adquirida de forma irregular por meio da clínica veterinária MaxVet. A partir daí, a cetamina era distribuída aos integrantes do grupo e utilizada durante os encontros promovidos pela organização.
Durante o processo, testemunhas relataram que participantes eram persuadidos a receber aplicações da substância, mesmo sem finalidade médica. Os depoimentos também mencionam supostos episódios de cárcere privado e abusos sexuais contra pessoas que estariam sob efeito da droga.
Ao fixar as penas, a Justiça definiu as seguintes condenações:
- Cleusimar Cardoso Rodrigues (mãe de Djidja): 10 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado. Foi apontada como responsável por comandar a organização;
- Ademar Farias Cardoso Neto (irmão de Djidja): 10 anos e 11 meses de prisão, em regime fechado. Segundo a sentença, exercia papel de liderança operacional;
- José Máximo Silva de Oliveira (veterinário): 10 anos e 4 meses de prisão, em regime fechado. Dono da clínica MaxVet, foi responsabilizado pelo fornecimento da cetamina;
- Hatus Moraes Silveira (personal trainer): 10 anos e 5 meses de prisão, em regime fechado. Atuava na logística do esquema;
- Verônica da Costa Seixas (gerente): 10 anos de prisão, em regime fechado. Auxiliava na compra e ocultação dos materiais utilizados pelo grupo;
- Sávio Soares Pereira (funcionário de clínica veterinária): 9 anos de prisão, em regime semiaberto. Fazia as negociações relacionadas à droga por meio do WhatsApp;
- Bruno Roberto da Silva Lima (ex-namorado de Djidja): 8 anos e 6 meses de prisão, em regime fechado. Participava da obtenção da substância e estimulava seu consumo.
A Justiça manteve a prisão preventiva de Cleusimar, Ademar, José Máximo e Hatus, impedindo que eles recorram da sentença em liberdade. Já Verônica, Sávio e Bruno poderão apresentar recurso fora do sistema prisional, desde que cumpram as medidas cautelares impostas, entre elas o monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Na mesma decisão, a juíza absolveu três investigados por insuficiência de provas quanto aos crimes de tráfico de drogas e associação para o tráfico: Emicley Araújo Freitas, motoboy; Claudiele Santos da Silva, maquiadora; eMarlisson Vasconcelos Dantas, maquiador.



