No início desta semana, influenciadores ligados a um grupo político de direita entraram no Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais (IFCHS), da Universidade Federal do Amazonas, em Manaus, e retiraram cartazes fixados por estudantes com mensagens de cunho político.
A ação provocou reação imediata de alunos e professores, especialmente porque toda a situação foi registrada e divulgada nas redes sociais.
Vídeos publicados na internet mostram o momento em que os cartazes são rasgados pelo grupo, formado por Beatriz Darley, Kelly Mestanza, Samuel Monteiro e Messias Trindade. Durante a ação, um estudante questionou a atitude, dando início a uma discussão no local. O grupo afirmou ter recebido ameaças durante o confronto.
Em uma das falas registradas em vídeo, um dos envolvidos afirma que “universidade não é lugar de ideologia”. Assista abaixo:
O episódio ampliou o debate nas redes sociais sobre liberdade de expressão, pluralidade de ideias e os limites entre manifestação política e censura dentro do ambiente acadêmico.
Respeito às diferenças é fundamental
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 assegura, em seu artigo 5º, a liberdade de manifestação do pensamento, desde que respeitados os direitos de terceiros.
Para analisar o caso, o cientista político Carlos Santiago comentou sobre os impactos do episódio no ambiente universitário.
“A universidade, além de um espaço para formação de pessoas, para um exercício da profissão, é também um lugar de encontro de culturas, de posicionamentos políticos e ideológicos, em que há uma razão expressa, uma contra razão e um debate produtivo buscando sempre a evolução do conhecimento e o respeito. Mas quando esse ambiente é agredido com vandalismo, com posicionamentos de censura contra os princípios democráticos e também contra o patrimônio público, isso se transforma em um crime”, afirmou.
Segundo ele, o caso deve ser apurado.
“Abrir o inquérito policial, promover uma investigação para identificar todos os envolvidos neste ato anti-democrático contra o patrimônio público e ao final do inquérito enviar ao Ministério Público Federal para que ele analise e promova ou não as medidas judiciais cabíveis”, disse.
Carlos Santiago também defendeu a manutenção da universidade como espaço democrático.
“O mais importante é que a universidade continue sendo o espaço da diversidade, da liberdade, de posicionamentos, de encontro, de saberes, de ideias, de ideologias, mas sempre respeitando o contraditório. É assim que a sociedade evolui”, destacou.
O caso segue repercutindo entre estudantes, docentes e usuários das redes sociais.
