No mês em que é celebrado o Dia Nacional do Café, a bebida preferida dos brasileiros enfrenta uma forte alta nos preços. Segundo dados do IBGE, divulgados em maio deste ano, o quilo do café moído acumula uma alta de 80,2% em relação ao ano anterior, conforme o IPCA — índice oficial que mede a inflação. Trata-se do maior aumento registrado desde a criação do Plano Real, em 1994, superando até mesmo os 85,5% registrados em maio de 1995.
Nos primeiros meses de 2025, os aumentos foram expressivos:
- 10,77% em fevereiro (o maior salto mensal em 26 anos);
- 8,14% em março;
- 4,48% em abril.
Entre os 377 itens analisados pelo IPCA, o café lidera o ranking de maiores altas com ampla vantagem. A bebida é a segunda mais consumida no país — atrás apenas da água.
A economista Karla Martins explicou, em entrevista ao Diário da Capital, que o aumento do valor está relacionado a diversos fatores.
“As mudanças climáticas, a redução da oferta global e o aumento dos custos de produção — tanto internacionais, devido a ajustes logísticos, quanto locais, por tributos, legislações e tarifas — impactam diretamente a cadeia do café. Desde a plantação até a entrega ao consumidor, qualquer interferência nesse processo afeta o preço final do produto”, disse.
Segundo a especialista, a valorização do dólar impacta diretamente a competitividade do café brasileiro no mercado externo.
“Como em outros produtos, a alta do dólar torna o real desvalorizado, o que deixa o café brasileiro, reconhecido pela qualidade, mais competitivo e atrativo no mercado internacional”, explicou.
Para ela, o consumidor precisa adotar algumas estratégias econômicas importantes para melhorar o controle das despesas.
“No caso do consumidor, a principal recomendação é fazer pesquisa de preços e marcas, conhecer opções para substituir produtos da cesta de consumo, aproveitar compras em maior quantidade quando os preços estiverem mais baixos e, se possível, ajustar seus hábitos de consumo. Essas são as principais estratégias econômicas que ele pode adotar”, orientou.
Dados em Manaus
O aumento do valor do café também chegou em Manaus. Dados da pesquisa do Serviço de Atendimento e Proteção ao Consumidor (Procon Manaus) mostram que o café torrado e moído teve um reajuste de 4%, saindo de 9,59 para R$ 9,99 considerando a média dos valores cobrados. O levantamento reuniu as seguintes marcas de café: Do Norte, Manaus, Rancheiro, Dunorte, Na Xícara e Vitória.
| Nova Era | Baratão da Carne | Coema | Atack | DB | Rodrigues | Assaí | Carrefour | Atacadão | Vitória |
| R$13,99 | R$15,99 | R$8,99 | R$13,99 | R$14,99 | R$16,49 | R$10,25 | R$11,99 | R$14,99 | R$12,99 |
Fonte: Procon-Manaus