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Brasil sobe no ranking global de desenvolvimento humano, aponta relatório da ONU

Apesar do país subir 5 posições, a desigualdade ainda persiste.

Escrito por Redação
7 de maio de 2025
Paulo Pinto/Agência Brasil e Divulgação/ONU

O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) divulgou, nesta terça-feira (6), a nova edição do Relatório de Desenvolvimento Humano, com dados atualizados de 2023. O Brasil alcançou a 84ª posição no ranking mundial, com um Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de 0,786 – considerado alto. Isso representa um avanço em relação ao ano anterior, quando o país figurava na 89ª colocação, com IDH de 0,780 (valor ajustado).

Segundo o levantamento, que avaliou 193 países com base em expectativa de vida, escolaridade e Produto Interno Bruto (PIB) per capita, o Brasil subiu duas posições no ranking após ajustes metodológicos (de 86º para 84º), ultrapassando a Moldávia e empatando com Palau.

O relatório também destaca o progresso contínuo do país nas últimas décadas. Entre 2010 e 2023, o crescimento médio anual do IDH brasileiro foi de 0,38%. Desde 1990, a média foi ainda maior: 0,62% ao ano.

Desigualdade social reduz posição do Brasil

Apesar do desempenho positivo no índice geral, o Brasil cai significativamente de posição quando o IDH é ajustado para refletir a desigualdade social. Nessa métrica, o país despenca para a 105ª colocação, com IDH de 0,594 – o que o reclassifica como um país de desenvolvimento humano médio. Já o IDH ajustado mundial é de 0,590.

A desigualdade também é evidenciada em outras análises. Quando comparados os índices por gênero, as mulheres brasileiras apresentam leve vantagem geral (IDH de 0,785 ante 0,783 dos homens), com melhores resultados em expectativa de vida e educação, mas desempenho inferior em renda.

No IDH ajustado pela pegada de carbono, o Brasil tem pontuação de 0,702 e melhora sua posição relativa, ocupando a 77ª colocação global.

Panorama global e América Latina

A Islândia lidera o ranking global com IDH de 0,972, ultrapassando Suíça e Noruega. Os seis países com os maiores índices são todos europeus, incluindo Dinamarca, Alemanha e Suécia. Na outra ponta, o Sudão do Sul, país mais jovem do mundo, tem o menor IDH do planeta (0,388). As últimas nove posições são ocupadas por nações africanas.

Na América Latina e Caribe, o Chile é o país mais bem colocado, na 45ª posição (IDH 0,878). Outros nove países da região, como Argentina, Uruguai e Panamá, também estão no grupo de alto desenvolvimento humano. A média regional subiu de 0,778 para 0,783 entre 2022 e 2023.

O IDH médio global atingiu 0,756 em 2023, o maior já registrado, mas o avanço foi tímido: apenas 0,53% em relação ao ano anterior. Segundo Pedro Conceição, coordenador do relatório, o crescimento atual é o mais lento da história, excetuando o recuo causado pela pandemia de Covid-19.“Se mantivéssemos o ritmo de antes de 2020, alcançaríamos um IDH muito alto em 2030. Mas agora essa meta foi adiada por décadas”, afirmou Conceição. Ele também alertou que os países com IDH mais baixo estão ficando para trás, rompendo com a tendência de convergência observada nas últimas décadas.

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