A repercussão sobre as aplicações financeiras da Amazonprev ganhou força após o posicionamento do Sindicato dos Auditores Fiscais Tributários do Amazonas (Sindifisco Amazonas). A entidade manifestou preocupação com investimentos que somam cerca de R$ 300 milhões, sendo R$ 50 milhões aplicados no Banco Master, atualmente em liquidação extrajudicial.
Em nota, o sindicato afirma que, conforme informações das investigações da Polícia Federal, as operações podem ter violado normas de governança e colocado em risco o patrimônio previdenciário dos servidores estaduais. O Sindifisco comunicou que levará o caso ao Ministério Público Federal (MPF) e a demais órgãos de controle, além de solicitar a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam).
Entenda o caso
O caso envolve aplicações da Amazonprev em Letras Financeiras do Banco Master e do C6 Bank. Em setembro de 2024, a fundação informou que não localizou atas que autorizassem formalmente essas aquisições. Em novembro de 2025, o Sindicato dos Trabalhadores da Justiça do Amazonas encaminhou ao Ministério Público do Amazonas (MPAM) uma notícia de fato alegando ausência de deliberação do Conselho de Administração sobre as operações.
A Amazonprev declarou que o investimento realizado em fundo administrado pelo Banco Master não representa risco e não compromete o pagamento de aposentados e pensionistas. A fundação afirmou que as aplicações foram feitas exclusivamente com instituições credenciadas pela Secretaria Nacional de Previdência Social e que acompanha a situação junto ao Banco Central para assegurar o equilíbrio da carteira de investimentos. Também ressaltou possuir receita suficiente para garantir todas as obrigações com seus beneficiários.
Prisão
O dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, foi preso pela Polícia Federal na terça-feira (18/11), durante a Operação Compliance Zero, que apura a concessão de créditos falsos e a negociação de títulos supostamente irregulares envolvendo instituições financeiras.
A Justiça Federal manteve a prisão por decisão da desembargadora Solange Salgado da Silva, do TRF-1, que negou pedido de habeas corpus apresentado pela defesa. A magistrada destacou a necessidade de preservar a ordem pública e impedir a continuidade das ações do grupo investigado, citando um esquema de cessão irregular de carteiras de crédito entre o Banco Master e o BRB, estimado em cerca de R$ 17 bilhões.
A defesa de Vorcaro sustenta que ele não tentou deixar o país e que sempre esteve disponível para colaborar com as investigações.
Veja a nota do Sindifisco Amazonas na íntegra:




