Amazonas

Apagão em Manicoré já dura mais de 40 dias e pode se estender até outubro

Moradores enfrentam colapso nos serviços básicos; deputado Roberto Cidade entra com ação judicial contra Amazonas Energia

Escrito por Redação
29 de maio de 2025
Reprodução/Internet

Com mais de 40 dias sem fornecimento regular de energia elétrica, o município de Manicoré, localizado a 390 quilômetros de Manaus, vive uma crise humanitária e institucional. Diante do agravamento da situação, o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), deputado estadual Roberto Cidade (União Brasil), ingressou com uma Ação Popular com pedido de tutela de urgência contra a concessionária Amazonas Energia, responsável pelo abastecimento.

A ação, protocolada na Vara da Fazenda Pública da Comarca de Manicoré, exige o restabelecimento imediato e integral do fornecimento de energia elétrica na cidade, sob pena de multa diária. O documento também solicita o apoio de órgãos como a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e a Defesa Civil para garantir o cumprimento da medida judicial.

Segundo o parlamentar, a situação ultrapassa os limites de uma falha técnica e configura “um crime social”. “Hospitais à base de gerador, partos no escuro, vacinas perdidas, escolas fechadas e comércios à beira da falência. O povo de Manicoré está abandonado pela Amazonas Energia. É inadmissível que esse direito básico continue a ser negligenciado”, afirmou Cidade.

Comunidades inteiras às escuras

As interrupções no fornecimento de energia tiveram início no dia 10 de abril e, desde então, vêm ocorrendo de forma diária e prolongada. Embora intermitente, o apagão tem causado prejuízos semelhantes aos de um corte total de energia. 

O parlamentar já havia alertado sobre o problema no dia 15 de abril, quando usou a tribuna da Aleam para denunciar que pelo menos 15 comunidades rurais de Manicoré estavam completamente às escuras. Entre as localidades citadas estão Capanã, Água Azul, Boa Esperança, Democracia, Monte Horebe, Praia de Nazaré, Santa Maria, Urucuri, entre outras.

Na ação judicial, o deputado destaca o impacto direto sobre serviços públicos essenciais, como saúde e educação, e sobre o orçamento do município, que tem sido obrigado a redirecionar recursos para manter geradores e atender emergências. 

“A necessidade de acionar geradores em prédios públicos tem imposto gastos extraordinários com combustíveis, desviando recursos que poderiam ser investidos em áreas como saúde, educação e segurança. Tenho estado em constante contato com o prefeito Lúcio Flávio, e os prejuízos são enormes”, frisou.

Amazonas Energia prevê solução apenas para outubro

Em nota oficial, a Amazonas Energia confirmou que o problema foi causado pelo rompimento de um cabo subaquático, afetando diversas comunidades ribeirinhas. A empresa afirma que o processo de confecção de um novo cabo já foi iniciado, mas que a fabricação e entrega podem levar entre 90 a 120 dias. A previsão é que o serviço só seja totalmente restabelecido até o fim de outubro de 2025.

A concessionária também atribui parte da dificuldade de atendimento à cheia dos rios, que tem afetado duramente a região e levado diversos municípios a decretarem estado de emergência. Ainda segundo a empresa, equipes estão mobilizadas e o caso está sendo tratado com prioridade.

Enquanto isso, a população de Manicoré segue enfrentando prejuízos, aguardando que a Justiça determine uma solução para o restabelecimento da energia elétrica.

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