Matérias
Política

Amom agora relaciona políticos e alta cúpula da SSP de terem ligações com crime organizado

O deputado afirma ainda que Roberto Cidade e Secretário de Segurança Pública, Marcos Vinícius, tentaram dissuadi-lo de apresentar queixa

Escrito por
Rhyvia Araujo
January 06, 2024
Leia em
X
min
Compartilhe essa matéria

Em uma nova declaração à Polícia Federal, o deputado Amom Mandel (Cidadania) relaciona o prefeito de Manaus, David Almeida, o governador do Amazonas, Wilson Lima, e a alta cúpula da Secretaria de Segurança Pública do Estado do Amazonas (SSP-AM), de ligações com o tráfico de drogas, após confusão envolvendo policiais militares da Ronda Ostensiva Cândido Mariano (ROCAM) na noite de quarta-feira (4).

De acordo com o depoimento de Amom, divulgado neste sábado (6), após ele ter acesso a um relatório da Secretaria Executiva Adjunta de Inteligência (SEAI), que segundo ele comprova o envolvimento das autoridades com organizações criminosas, ele protocolou uma denúncia no dia 13 de dezembro, e desde então, vem sofrendo uma série de perseguições, mas não detalhou como essas ações vem acontecendo.

Conforme o documento, o deputado afirma que tentaram dissuadi-lo a prestar queixa e alega que até mesmo o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas, deputado estadual Roberto Cidade, tentou fazer com que ele não desse prosseguimento com as alegações “para encerrar o caso”. Ele ainda afirma que as ligações das autoridades foram gravadas.

“O Secretário de Segurança Pública, Coronel Vinícius Almeida e o presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas/AM, Roberto Cidade entraram em contato com o declarante para dissuadi-lo das denúncias na Polícia Federal e da coletiva de imprensa, bem como “montar” uma narrativa boa para todos os lados e encerrar a situação”, diz trecho do depoimento do deputado na sede da Polícia Federal, na sexta-feira (5).

Ainda no depoimento, o parlamentar diz que na noite do acontecimento, ele e a sua companheira Sarah, além de uma amiga, foram abordados sob a justificativa da lanterna traseira do veículo estar queimada. Após o bate boca com os policiais, Mandel deu voz de prisão para os oficiais do comando.

Segundo a narrativa, os agentes ironizaram a situação e em seguida o oficial da guarnição realizou uma ligação para o alto comando da PM/AM.

“Não é comum que um oficial da Polícia Militar em patrulhamento noturno tenha acesso fácil, rápido e direto à Alta Cúpula da SSP/AM”, relatou à PF.

De acordo com Amom, o secretário de Segurança do Amazonas , Marcos Vinícius, também chegou ao local e determinou que todos os envolvidos se deslocassem ao 14ºDIP/PCAM. Ele também especifica que a abordagem teve início às 22h e que chegou por lá às 22h40, mas “os Policiais Militares envolvidos só chegaram no local por volta das 23h20 min, embora tenham partido do mesmo local”. O procedimento no 14ªDIP, segundo o boletim, só teve fim às 03h30 de sexta-feira (5).

Posicionamentos, racismo e novas informações

Após o caso ganhar repercussão, a namorada do parlamentar, Sarah Mariah também quebrou o silêncio e se manifestou sobre o assunto na noite de sexta-feira (5). Ela afirma que não ignorou os sinais da Rocam e que ao parar no acostamento os PMs “seguiram com as armas em punho”. Ela ainda negou envolvimento com drogas.

“O deputado não estava indo (como alguns insinuaram) comprar drogas na zona leste, eu estava indo deixar minha amiga em casa, somos vizinhas. Eu moro na zona leste há 23 anos. Não era madrugada, eram 22h da noite. Eu não furei bloqueio policial nenhum, pois não havia bloqueio”, escreveu nas redes sociais.

Sarah conta que conta que os oficiais apontaram a arma para ela e afirma que foi vítima de racismo.

“Havia uma pessoa preta dirigindo na zona leste e essa pessoa era eu. Os PMs gritaram comigo, apontaram a arma para mim e não me disseram porque eu estava sendo tratada daquele jeito, alguém tem um palpite? Felizmente eu não virei “camisa de estampa”, mas nós sabemos que eu poderia ter virado se o Amom não estivesse ali”, relata.

Amom também se manifestou nas redes sociais e afirmou que realizou um pedido de proteção à Polícia Federal.

“Se algo acontecer comigo, com meus familiares ou entes queridos, a Polícia Federal sabe quem são os culpados e mandantes”, ressaltou o parlamentar.

Apesar de não citar nomes, o parlamentar também escreveu não ser contra a polícia, mas que tinha ciência de um coronel da Polícia Militar envolvido com atividades criminosas relacionadas ao ouro. Ainda de acordo com o deputado outras informações serão divulgadas em breve.

A reportagem entrou em contato com as assessorias do Prefeito de Manaus, Governador do Estado, do presidente da Assembleia Legislativa do Amazonas e da SSP-AM, mas até o fechamento desta reportagem não obtivemos retorno.

No items found.
Matérias relacionadas
Matérias relacionadas